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Itu e o jogo da política |
Data:
20/02/2010
Edição:
5140 |
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Pensam que somos bobos. Eu e você que me lê agora. Os políticos desta cidade pensam que somos ignorantes, inocentes e sem memória. Acham que não vemos, que não percebemos e que não queremos nada além de entretenimento gratuito, e mesmo isso nos dão em míseras doses homeopáticas em ocasiões extraordinárias.
Porém, nós vemos, percebemos e queremos. E por vezes nos revoltamos. Impossível não reconhecer o jogo político desta cidade, jogo este em que somos apenas pinos, peças movidas para lá e para cá. E mantidos o mais distante possível da discussão e elaboração de nosso governo.
De tanto ver a história se repetir já decorei o enredo. Boa parte do que prefiro chamar apenas de "má política" passa pelo Legislativo. Alias, é o Legislativo de Itu o responsável por essa má política.
Hoje, a situação da Câmara Municipal de Vereadores é a seguinte: São doze vereadores; destes, dez são aliados do prefeito e dois são de franca oposição. Os aliados fazem tudo e qualquer coisa em nome da "boa governança" e, por isso, não questionam, não discutem e muito menos discordam do que o Executivo faz.
Tudo bem que as pessoas têm o direito de pensar política como quiser e posicionar do lado que achar melhor, mas o papel do Poder Legislativo é primordialmente fiscalizar o que o Executivo realiza. Com uma maioria na Câmara dizendo amém a tudo que o órgão administrativo faz, seu gestor fica livre para fazer o que bem entender. E aí a democracia perde.
Outro item singular dos vereadores da situação de Itu é que além de não questionar eles se dedicam a impedir que ninguém questione. Prova disso é a dificuldade que se tem de aprovar um requerimento na Câmara. Em quase um ano de cobertura semanais aos trabalhos do Legislativo posso contar nos dedos de uma mão quantos questionamentos foram aprovados.
Com isso chego à conclusão que questionar a prefeitura é uma coisa que não se pode fazer se depender da maioria dos vereadores de Itu. Outra coisa que não se pode fazer é criticar, ou expressar opiniões diferentes das deles.
É comum, durante as sessões que algum dos dez aliados peça para que seja feita a leitura na integra da ata da sessão anterior. Quando a leitura começa a ser feita, muitos vereadores saem do plenário e os que ficam se ocupam de outra atividade, como falar ao celular, por exemplo. Então não há quem não perceba a leitura da ata foi pedida apenas para ocupar o tempo da sessão restando menos tempo para que se discorra em tema livre.
A oposição por sua vez, perde as estribeiras. De mãos atadas, uma vez que o voto da maioria impede o seu trabalho os dois vereadores contrários ao governo, gastam a saliva com discursos e tentam chamar a atenção.
E no fim, o plenário vira um circo, e não falo de entretenimento, me refiro às trapalhadas e asneiras repetidas e gritadas sem parar. Um vereador ofende o outro, lança fofocas, cria picuinhas, argumenta veementemente sobre algo sem fundamento...E no fim, quase sempre, quem assistiu à sessões perdeu seu tempo.
Não é preciso acompanhar a política de Itu para saber o resultado. E por mais que eu e agora você, que me lê agora, saibamos como funciona o jogo, eles nos ignoram porque pensam que somos bobos e que não percebemos.
Monica Seixas
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