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Itu, chão de terra
Data: 12/03/2010
Edição: 5149
Durante os últimos meses estive em várias estradas rurais de Itu. Pode parecer piegas, mas ao caminhar por esses locais ouvi diversos tipos de reclamações e histórias do cotidiano de quem têm orgulho e adora morar no chão de terra de Itu.

Me chamou a atenção quando conheci, entre as muitas pessoas que conversei, uma jovem de 12 anos. A estudante me contou sua rotina e disse maravilhada que seu grande sonho era que no local onde mora fosse construída uma escola. Mais tarde, conversando com o pai da jovem descobri que ela levantava às 4h30 para entrar às 7h na escola. O retorno para casa é outra maratona. A menina chega em casa às 15h.

Algumas crianças menores, me refiro a faixa entre 4 a 6 anos, na fase pré-escolar não estudam, passam seus dias brincando no sítio. Mas essa brincadeira poderia ser conciliada com o conhecimento das primeiras letras e a introdução da vida escolar.

Além disso, nos dias de chuva as estradas tornam-se um lamaçal que impossibilita a passagem dos ônibus. Conclusão: ela e outros jovens acabam “ganhando um dia de folga”, o que na verdade torna-se frequente nas épocas de chuva, ainda mais com as mudanças climáticas.

Outra dificuldade é o sistema de saúde, ou melhor, a deficiência desse sistema nas regiões rurais. Boa parte das pessoas que entrevistei utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS), mas não conhecem o Expresso Saúde do Serviço Municipal. Idosos, crianças, jovens e adultos necessitam ir a outras localidades, a bairros afastados para ir ao médico.

Para alguns demagogos de plantão o fato pode parecer comum, pois em outros pontos da cidade pessoas se deslocam para ir ao médico, mas garanto aos críticos que a dificuldade de condução é menor, afinal bairros no centro e subúrbio têm horários variados de ônibus, ao invés de três vezes ao dia como acontece há décadas nas áreas rurais.

A cidade de Itu possui 600 quilômetros de estrada de terra, Apotribú, Beira Rio, Canguiri, Eldorado, em todos esses lugares, como em outras áreas rurais a melhoria para as dificuldades de locomoção está na ponta da língua de gente muito simples: embaular as estradas, fazer sangrias na terra e sinalização.

E o mais importante, essas pessoas merecem ter condições dignas de vida, e que mudanças positivas aconteçam de imediato, pois de mês em mês os anos vão passando e nenhuma mudança acontece, os problemas e as dificuldades continuam os mesmos.

Enquanto isso, os moradores desses locais que amam suas casas e a terras que possuem vão perdendo as esperanças e se adaptando as necessidades que poderiam ser resolvidas com um pouco de determinação e força de vontade de quem se propôs fazer de nossa sociedade um lugar melhor, seja ele asfaltado ou de terra.

Suzy Leite

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