Aprovada inclusão da Semana LGBTI+ no calendário oficial de eventos de Itu

Por André Roedel

Divulgação/Câmara

Foi aprovado em primeira discussão na sessão ordinária da última terça-feira (27) o PL Nº 49/2019, proposto pelo vereador Rodrigo Macruz, que institui e inclui a Semana da Diversidade LGBTI+ no calendário de eventos do município de Itu. O evento, a ser realizado preferencialmente em abril, deverá ser encerrado com a Parada do Orgulho LGBTI+. A propositura passou com 10 votos favoráveis e dois contrários (Normino da Rádio e José Galvão foram contra), enfrentando certa resistência nos bastidores.

Antes da votação, foi exibido um vídeo do programa “Espelho”, do Canal Brasil, em que o ator e apresentador Lázaro Ramos entrevista o historiador e professor Leandro Karnal sobre o movimento LGBT. A exibição do vídeo precisou da aprovação dos vereadores, pois o presidente Givanildo Soares resolveu colocar em votação já que abriria precedente.

No vídeo, Karnal diz que vivemos a fase da celebração de grupos que historicamente viveram à margem da sociedade e foram segregados, como os negros e a população LGBT. “A fase da celebração é fundamental para restaurar a identidade, o amor próprio e o respeito de grupos. Porém, o efeito dela é fazer com que os medos antigos de conservadores venham à tona. O que não quer dizer que as pessoas não devam celebrar”, disse o filósofo no vídeo exibido. “Todo preconceituoso é alguém que tem medo”, afirmou na entrevista, que pode ser conferida através do link bit.ly/entrevista-karnal-espelho.

Durante a discussão, Macruz destacou a presença de militantes da causa LGBT no plenário, entre eles o presidente da Codisei (Comissão de Diversidade Sexual de Itu), Felipe Cavalheiro. O autor destacou que o evento já é realizado na cidade e nunca teve o intuito de, com o projeto, provocar ou incitar um debate que não seja saudável.

“Não sou militante da causa, até porque sou hétero, mas sou militante, sim, de a gente conseguir trabalhar com as diferentes diferenças. Isso é uma realidade, não está mais escondido”, disse o vereador, ressaltando ainda que, hoje, a discriminação sexual é crime equiparado ao racismo.

Thiago Gonçales enalteceu o projeto. “Independente da opção sexual de cada um, a gente precisa cada vez mais respeitar e debater sobre o tema. Principalmente no tocante à homofobia”, disse o vereador, que pretende mobilizar ações de conscientização em conjunto com a Codisei. “A partir do momento que entra a violência, acho que essa Casa de Leis tem que intervir e procurar soluções”, disse o vereador.

Críticas
Em seguida, Maria do Carmo Piunti disse não concordar com a íntegra do projeto e disse que fará uma emenda na segunda discussão. Ela chegou a anunciar a abstenção, mas acabou sendo favorável. “Hoje vou votar favorável, mas se a minha emenda não for aceita, vou votar contrário”, disse. O teor da emenda, porém, não ficou muito claro, pois a vereadora criticou que o assunto seja debatido em escolas, mas a ementa do projeto não diz nada sobre debate em instituições de ensino.

Evangélico, o vereador Normino da Rádio foi contrário e teceu críticas ao projeto. “Eu tenho opinião formada, tenho algo que eu prego e não posso abrir mão nessa Casa”, disse o edil. Normino relembrou que um projeto semelhante de autoria do Executivo municipal foi protocolado na Câmara no ano passado, mas “um desconforto” fez com que a propositura fosse retirada.

Assim como Maria do Carmo, Normino também desdenhou do vídeo com Karnal, recordando que um outro vídeo em que o historiador justifica o motivo de ser ateu. “Sou contra qualquer tipo de intolerância e preconceito. Não vamos misturar as coisas aqui nesse lugar. Só que mais uma vez eu não posso abrir mão daquilo que eu prego”, disse.

Repercussão
Nas mídias sociais, a aprovação em primeira discussão foi elogiada pela Codisei. “Existem pontos a serem esclarecidos, assim como pudemos vislumbrar a interferência da religião em questões laicas para a cidade. Mas o importante, neste momento, é celebrar esta grande vitória, que entra com um marco na história LGBTI+ de Itu”, declarou a comissão em postagem no Facebook.

A presidente do PSOL de Itu, Michelle Duarte, também repercutiu a votação. “Como já era de se esperar, mais uma vez vereadores colocaram Deus em seus discursos, para sustentar suas posições, mesmo sabendo que quando entram naquela casa não estão ali para votar a favor de suas religiões, mas de toda uma população”, escreveu ela. “É necessário que o vereadores de Itu parem de tratar sobre um tema tão importante de forma tão rasa e simplista”, finalizou.

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