Bailarinos arrecadam verba para participar de festival em Portugal

Por Nayara Palmieri

Andrew, Oswaldo e Vinicius foram convidados para festival em Aveiro, em Portugal
(Foto: Divulgação)

O trio de bailarinos ituanos Andrew Moura, 22, Oswaldo Guarnieri, 32, e Vinicius Felix, 27, junto com a coreógrafa Iara Fioravanti, 31, ganhou a oportunidade de se apresentar no Aveiro Dance Festival, uma mostra competitiva de dança em Portugal.

O ‘convite’ para se apresentarem em Aveiro veio como forma de prêmio que ganharam ao se apresentarem no festival de dança Salto Fest Dance, que ocorreu em setembro de 2019. A coreografia “Em cadência” foi premiada com a inscrição para o festival em Portugal, mas, ainda assim, há muitos gastos para que a viagem se concretize.

Para juntar a verba necessária, o grupo vem promovendo diversos eventos, como venda de pizzas, rifas, eventos como pré-carnaval e apresentações de danças, além da vaquinha on-line – onde você pode contribuir acessando o link http://vaka.me/715420.

A redação do JP conversou com a coreógrafa Iara Fioravanti e com os dançarinos Andrew Moura e Vinicius Felix para saber mais sobre suas carreiras e a expectativa para a viagem. Iara conta que começou a dançar com apenas 6 anos de idade, por uma condição de saúde. Parou por um tempo quando foi para a faculdade, mas não conseguiu ficar totalmente afastada da dança.

“Eu voltei a dançar porque eu sentia falta mesmo, sentia falta de aula, do palco. Era um momento de desapego meu, que eu não tinha obrigações. Não tem algo que eu seja mais apaixonada do que pela dança” declara.

Dançando há 8 anos, Vinicius fez da dança um mecanismo para fugir da timidez. “A arte surgiu na minha vida como uma maneira de escapar da timidez. Eu era muito tímido, e teve um momento que eu pensei que precisava fazer algo para me ajudar. Dançar mexe com muita coisa interna, questões emocionais e te tira da zona de conforto, é muito prazeroso. Eu não me imagino fazendo outra coisa senão dando fomento a esse tipo de manifestação que é a dança”.

Já para Andrew, sua primeira influência foi uma prima, mas seu primeiro passo na dança foi através de uma apresentação da escola – e, desde então, se apaixonou por essa arte. Oswaldo começou a dançar na faculdade, quando uma professora o chamou para participar de uma apresentação, e depois disso, não conseguiu mais deixar a dança.

Expectativas
O Aveiro Dance Festival é uma mostra competitiva que vai além do teor de competição. Durante os dias de festival, na parte da manhã são ministrados cursos, workshops, intervenções artísticas com apresentações em locais públicos da cidade. “Vamos conhecer novos coreógrafos, novos professores. É toda uma série de benefícios que vem, que não é só mostrar sua obra”, comenta Iara. “É uma vitrine, sair do país para mostrar seu trabalho e poder ver outros trabalhos que não têm no Brasil”, complementa Vinicius.

Nenhum dos dançarinos teve a oportunidade de dançar fora do Brasil, então a expectativa está grande, ainda mais pela burocracia que é para ser selecionado para o festival. Iara contou que o processo envolve o envio de um vídeo do grupo que quer participar, o pagamento de uma taxa de inscrição e um processo de seleção. “Então isso engrandece e acaba nos deixando ansiosos, pois é um nível bem alto”, conta.

Preconceito e visibilidade
Para Iara o que falta mesmo é o espaço adequado para a dança na cidade de Itu, como falta de um teatro que comporte espetáculos de médio e grande porte, ou locais adequados para ensaios. “Eu acho que a batalha é muito mais de conquistar o espaço e mostrar o seu valor”.

O dançarino Vinicius acredita que a dança está vencendo o preconceito, mas que infelizmente ainda existem pessoas que olham a arte com um olhar deturpado. “Mas, por exemplo, eu diria que é um olhar pra arte em geral que nós temos no Brasil. Como se arte fosse só uma forma de entretenimento, ninguém tem ideia de quanto tempo a gente passa estudando, do quanto a gente investe”.

Novo projeto e arrecadação
Quando a oportunidade de viajar surgiu, o grupo se reuniu para discutir formas de arrecadar a verba, afinal, o grupo precisa de R$ 22 mil. Começaram então a desenvolver alguns projetos, e o próximo evento será a apresentação “Gala das Premiadas”, que acontece dia 1º de março (domingo), às 19h, na Sala Palma de Ouro, em Salto, onde serão apresentadas coreografias que já ganharam algum prêmio, e com a participação de convidados.

O evento conta também com a estreia de um solo do dançarino Vinicius Felix, inspirado no parkour, levando a arte urbana para os palcos. Toda a bilheteria desse espetáculo será convertida para ajudar a financiar a viagem. As vendas já estão disponíveis através do link http://bit.ly/gala-premiadas ou diretamente na bilheteria do teatro, localizado na Rua Prudente de Moraes, 580, Centro. Os ingressos custam R$ 25 (meia-entrada), R$ 35 (antecipado) e R$ 50 (inteira).

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