Casa de Passagem para moradores de rua deve ficar pronta ainda este ano

André Roedel/Daniel Nápoli

Rodoviária é um dos pontos de concentração dos moradores de rua. Prefeitura fez ação para “mapear” pessoas nesta situação / Foto – Divulgação/Prefeitura de Itu

Nas últimas semanas, o Periscópio vem recebendo reclamações de populares a respeito do crescimento de pessoas em situação de rua em Itu, principalmente nas imediações da Rodoviária, mais precisamente em uma praça situada no Bairro Brasil.

Nossa reportagem esteve esta semana na Rodoviária, onde ouviu alguns lojistas do local, que preferiram não se identificar por medo de represálias. De acordo com a proprietária de um box no espaço, há pelo menos três meses a situação se agravou. “Eles (pessoas em situação de rua) estão incomodando muito. Muita gente que fica aqui esperando o ônibus, tem que mudar de local. Eles pedem dinheiro e tudo que se pode imaginar”.

Ainda de acordo com a lojista, alguns deles chegam a ser hostis. “Algumas pessoas eles xingam, está insuportável para as demais pessoas. Está horrível para trabalhar. Estamos abandonados dia e noite”, acrescenta. Outro comerciante da Rodoviária diz que “se não fosse o trabalho social de algumas pessoas que toda noite trazem marmitex pra eles, não ficariam mais aqui. Iriam embora. Não estou dizendo que não é para ajudar, mas acabam se acostumando e ficam perturbando o trabalhador”. A reportagem do JP também esteve na praça alvo de reclamação, em que os indivíduos em situação de rua se encontram, porém não conseguiu contato com os mesmos, havendo até uma recepção hostil.

Depois de apurar as reclamações, o Periscópio esteve em contato com o secretário municipal de Promoção e Desenvolvimento Social, César Benedito Calixto, e a diretora Alzira Guimarães, que comentaram a respeito do perfil das 120 pessoas (aproximadamente) que se encontram em situação de rua na cidade de Itu. “A maioria é composta por homens, entre 40 e 50 anos, embora também existam mais jovens e idosos”, comenta Alzira.

Ao JP, a Prefeitura atualizou outros dados, dizendo que é possível afirmar que Itu possui 150 pessoas em situação de rua, com 128 tendo registro regular de atendimento no Centro Pop, tendo então histórico conhecido e acompanhado pelo serviço social. Deste número, 88 são migrantes e têm origem dos estados de São Paulo (prioritariamente região de Sorocaba e capital), Paraná e Minas Gerais, com praticamente todos sendo usuários de álcool e 80% do total de outras substâncias psicoativas.

Alzira explica ainda que parte dessas pessoas “possui familiares em Itu, mas prefere viver na rua e se encontram na situação há mais de cinco anos. Outras pessoas vêm de São Paulo, do Paraná ou da região Nordeste e permanecem no município, espalhadas pela região da Rodoviária, Rancho Grande, São Luiz, Jardim Paraíso, Varvito e Caetano Ruggieri; procuram locais que se sintam acolhidos”.

O secretário César Calixto diz ainda que algumas das pessoas se concentram na região do Pirapitingui, dentre outras áreas urbanas, reforçando que “as imediações da Rodoviária são as mais procuradas devido ao transporte, que é uma via rápida para essas pessoas chegarem e saírem da cidade”, além de citar o trabalho social de doação de alimentos naquele espaço faz com que ali permaneçam.

No último dia 21 de fevereiro, a secretaria promoveu uma espécie de “censo” para atualizar os dados sobre a população de rua da cidade e facilitar o mapeamento de pessoas nesta situação. Outras ações como essa deverão ser realizadas nas próximas semanas.

Casa de passagem
Para somar com o trabalho que já vem sendo realizado pela secretaria, César Calixto diz que até o final deste ano está previsto o funcionamento da Casa de Passagem, um complexo que será construído atrelado ao Centro Pop – Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua.

“Será um estabelecimento temporário onde ele vai ter todos os recursos da assistência social juntos para que ele (usuário) se motive a sair da rua. Hoje, o Poder Público, por exemplo, não tem um equipamento para acolhê-los durante a noite. Será um Centro Pop e anexo a eles os dormitórios. Será um trabalho continuado, para dar uma mexida drástica nesta situação”.

A verba para a criação da Casa de Passagem é um recurso do Governo Federal, através da emenda do ex-deputado federal José Olímpio (DEM), no valor aproximado de R$ 350 mil, com a Prefeitura dando uma “pequena contrapartida”, de acordo com o secretário municipal.

César acrescenta falando em parcerias. “Se a gente colocar as organizações sociais para dentro do nosso contexto, é melhor que ele fique num lugar abrigado com alimentação, e deixe a rua. O trabalho de colaboração das organizações sociais, como as igrejas, fazem com que essa acomodação do morador de rua permaneça. O que a gente quer é trazê-los para dentro do contexto como colaboradores”.

A Casa de Passagem deverá ser construída na região do bairro Jardim Alberto Gomes, mas segundo Calixto ainda são necessárias as matrículas adequadas do imóvel, com o trabalho estando em fase de finalização junto a Caixa Econômica Federal.

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