Corpus Christi: fé e tradição unindo gerações da comunidade católica

Por Daniel Nápoli

Procissão contou com a presença de milhares de fiéis de Itu e também da região / Foto – Juca Ferreira

No feriado de Corpus Christi, ocorrido na última quinta-feira (20), foi mantida a tradição de mais de 50 anos na cidade de Itu: a confecção dos tapetes por parte de membros de diversas comunidades católicas do município. É sobre estes tapetes feitos de serragem tingida que durante a procissão é feita a passagem simbólica do corpo de Jesus Cristo.

Auxiliando na confecção dos tapetes desde a adolescência, a aposentada Maria de Fátima Ceratti, de 64 anos, fala ao Periscópio sobre o seu sentimento. “É um momento muito bonito, porque é a única vez que Jesus sai na rua e passeia no meio de nós; o significado é muito grande. Todo Corpus Christi é uma renovação para nossa alma, para nossa fé”.

Há 20 anos auxiliando na confecção dos tapetes, o advogado Thiago Caetano Oliveira, de 33 anos, também comenta a importância do ato. “Para nós é importantíssimo. Mostra nossa devoção, primeiro com a Santíssima Eucaristia e também a união da Igreja Católica, pois todas as paróquias da cidade estão representadas aqui. É uma alegria para gente e não podemos deixar de vir”.

Thiago fala também sobre a interação entre as comunidades e pessoas de diferentes idades. “A gente se ajuda. O pessoal dá uma dica na hora da confecção, empresta cores. Cada um faz o seu desenho, mas a interação é bem caridosa e as pessoas são bem amigas umas das outras”, relata.

Gratidão. É este o sentimento da auxiliar de classe Mariana Scarso de Camargo, de 18 anos, que há cinco participa da confecção pela Paróquia de São Judas Tadeu. “Para mim é gratificante. É um sinal de gratidão por tudo que Deus faz por nós”, diz a jovem que também fala sobre a importância da interação. “Acho muito bacana, a gente une todo mundo em um só ideal”.

A tradição de se confeccionar tapetes com a temática religiosa no Corpus Christi foi iniciada em Itu pelo professor Alcides Scalet e acabou se torna referência em toda a região. Nos últimos anos, seu filho, Estevão Scalet, é quem se encontra à frente da organização. “Mais um ano a gente está trabalhando, mantendo a nossa tradição. E a gente vem desenvolvendo junto com a população, junto com a Prefeitura para manter”.

Scalet ainda comentou sobre a expansão proporcionada pela iniciativa de seu pai. “Já se tornou uma tradição até mesmo regional, muito turista está vindo conhecer, passear e participar. Nosso trabalho é divulgar não só os tapetes, mas uma procissão que é tão importante no calendário litúrgico católico e é isso que nos motiva estar aqui todo ano”, encerra.

Após uma missa, foi realizada a tradicional procissão, com a passagem simbólica do corpo de Jesus Cristo pelos tapetes nas ruas centrais da cidade, em um percurso de aproximadamente 2 quilômetros, com os fiéis saindo da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, percorrendo as ruas centrais e retornando à Igreja para realização da bênção final.

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