Deputado repudia decisão do STF que liberou vídeo do “Porta dos Fundos”

Foto: Reprodução/Facebook

O deputado estadual Rodrigo Moraes (DEM), de Itu, publicou vídeo na manhã desta sexta-feira (10), em sua página no Facebook, criticando a decisão liminar que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, concedeu na quinta-feira (09) decisão liminar que autorizar a Netflix a exibir o especial de Natal da produtora Porta dos Fundos, “A Primeira Tentação de Cristo”.

O especial teve sua veiculação suspensa pela Justiça do Rio de Janeiro na quarta-feira (08), atendendo ao pedido da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura. O especial do Porta dos Fundos dá a entender que Jesus Cristo teve uma experiência homossexual ao passar 40 dias no deserto.

“Não se descuida da relevância do respeito à fé cristã (assim como de todas as demais crenças religiosas ou a ausência dela). Não é de se supor, contudo, que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã, cuja existência retrocede há mais de 2 (dois) mil anos, estando insculpida na crença da maioria dos cidadãos brasileiros”, afirmou o ministro Dias Toffoli na decisão.

Rodrigo Moraes, por sua vez, disse em vídeo que recebeu “com muita tristeza” a notícia da liminar, afirmando que o filme é um “vilipendio”. O deputado estadual manifestou repúdio e pediu que o vídeo fosse compartilhado pelos seus eleitores, para que ele e mais autoridades lutem contra “essa imoralidade”, nas palavras dele.

“O ministro ainda usou a liberdade de expressão, democracia. Que liberdade é essa? Um vídeo que afronta a fé e os princípios cristãos da maioria dos brasileiros”, disse o parlamentar. “Nós não podemos aceitar! Nós defendemos a família, nós defendemos princípios, não um filme arquitetado que eles fizeram para zombar, para tirar sarro da figura do nosso senhor Jesus Cristo, o colocando como homossexual. É inaceitável”, finalizou.

A decisão de Toffoli é provisória e foi tomada em função do recesso do Judiciário. A relatoria do pedido ficou com o ministro Gilmar Mendes, mas foi redistribuída ao presidente da Corte, em caráter liminar. No Twitter, a Netflix afirmou que apoia “fortemente a expressão artística” e vai “lutar para defender esse importante princípio, que é o coração de grandes histórias”.

Já a produtora Porta dos Fundos, no Facebook, disse que “é contra qualquer ato de censura, violência, ilegalidade, autoritarismo e tudo aquilo que não esperávamos mais ter de repudiar em pleno 2020. Nosso trabalho é fazer humor e, a partir dele, entreter e estimular reflexões. Para quem não valoriza a liberdade de expressão ou tem apreço por valores que não acreditamos, há outras portas que não a nossa”.

O filme já causou polêmica no final do ano passado, quando o vereador Normino da Rádio apresentou uma moção de repúdio à Netflix. A proposta foi aprovada por 11×1. Único a votar contra, o agora presidente da Câmara Ricardo Giordani disse na oportunidade que “não posso nunca desrespeitar um pilar da minha criação, de conhecimento, que é estado democrático de direito”.

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