Esportistas comentam adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio

Por Daniel Nápoli

Antonio Carlos Barbosa durante os Jogos Olímpicos de 2000, orientando a então ala da seleção, Adriana Santos (Foto: Adrees Latif/Reuters)

No último dia 24, foi confirmado por parte do primeiro-ministro do Japão, Abe Shinzo, e o Comitê Olímpico Internacional (COI) o adiamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio 2020. A competição agora será realizada em 2021, entre 23 de julho a 8 de agosto (as Paralimpíadas ocorrerão de 24 de agosto a 5 de setembro).

O adiamento se deu após inúmeras pressões por parte de atletas, dirigentes e imprensa devido ao avanço da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A princípio, os Jogos Olímpicos ocorreriam entre 24 de julho e 9 de agosto deste ano. Após o adiamento, o Periscópio esteve em contatos com personagens que já estiveram presentes de alguma maneira em Jogos Olímpicos ou Paralímpicos, para saber o que eles acharam a respeito da decisão.

Medalha de bronze nas Olimpíadas de Sidney 2000 comandando a Seleção Brasileira Feminina Adulta de Basquete, Antonio Carlos Barbosa, atual técnico do Ituano Basquete, comenta. “Infelizmente era uma situação que estava muito evidente que iria ocorrer (o adiamento). É muito próximo (a data em que iria ocorrer as Olimpíadas) e estamos quase em abril e temos atletas ainda buscando índice, Pré-Olímpico”.

Chuca no 9º Torneio Pré-Olímpico Feminino em 2007
(Foto: Gaspar Nóbrega)

Barbosa, que ainda comandou a seleção em Atenas 2004 (quarto lugar), acrescenta. “É uma temeridade, não é só o aspecto esportivo que você considera, você considera muito mais ainda a preservação dos atletas, de todo mundo que vai participar, do torcedor, do povo japonês, acho que não tinha efetivamente uma outra solução que não fosse essa. É uma situação que nunca poderíamos imaginar que a humanidade fosse passar em um período de tanto avanço da ciência”.

Ala do Ituano Basquete, Patricia “Chuca” de Oliveira Ferreira, que defendeu o Brasil em Pequim 2008 e Londres 2012, também defendeu o adiamento. “Todo atleta quer estar em uma Olimpíada e não vê a hora desse dia chegar, mas nesse momento a decisão foi assertiva, proteger o atleta é essencial”. Sobre uma futura preparação dos atletas, “Chuca” complementa. “Falando de desempenho, acredito que não (será prejudicial), os atletas terão tempo para se prepararem ainda mais”.

Joice Rodrigues, armadora do Ituano Basquete e da Seleção Brasileira que disputou as Olimpíadas de Londres 2012 e do Rio 2016, também falou ao JP sobre o adiamento. “Acredito que para os atletas seria muito em cima da hora fazer tudo às pressas, em relação a se preparar. E esse adiamento zela pela saúde de todos. Mas passando essa epidemia, tudo se resolve, eles terão mais tempo para se prepararem nos seus clubes, na sua atual área de modalidade, para um desempenho melhor e talvez até maior.”

Joice durante atuação na Olimpíada de Londres (Foto: Mark Ralston/AFP)

Sobre a sequência de preparação, a armadora prossegue. “Lógico que alguns (atletas) já vinham treinando focando Olimpíadas, mas com essa paralisação, não afeta só um indivíduo ou um país, e sim todos mundialmente. Não favorece e nem desfavorece ninguém, porque com certeza os atletas seguem em suas residências, fazendo seus cuidados com profissionais de alto nível, e não tenho dúvida que junto com sua comissão técnica de clube ou modalidade”.

Joice acrescenta: “Acredito que agora é um momento de conscientização e o mais importante nesse momento é preservar a saúde como um todo, cada um fazendo a sua parte”.

Palmira Marçal, ala/armadora do Ituano Basquete que também já defendeu o Brasil em Jogos Olímpicos (Rio 2016), lamenta a situação em que o mundo vive e comunga da opinião de seus companheiros de clube. “É triste (o adiamento), pois treinamos muito para que esse momento olímpico chegue. Muitos estariam sem tempo hábil para treinamento e isso afeta o desempenho de um modo geral. Porém, nesse momento, é o mais sensato a ser feito”.

No Rio 2016, Palmira fez sua estreia com a camisa verde-amarela da Seleção Brasileira em Jogos Olímpicos (Foto: Divulgação/FIBA)

“Temos que pensar que a saúde de todos os atletas e envolvidos é mais importante do que um dos eventos de maior importância para um atleta. Olimpíadas teremos outras, mas com a saúde não se pode brincar”, reforça a ala/armadora.

Dr. Luis Felipe Castelli Correia de Campos, ituano de nascimento e campeão paralímpico no Rio-2016 integrando a comissão técnica da Seleção Brasileira de Futebol de Cinco, comemorou a decisão. “Em minha opinião, essa decisão do adiamento foi acertada. Não tenho dúvida que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tóquio 2021 serão espetaculares, não somente porque os japoneses estão organizando, mas pela democracia e coerência de como se enfrentou a realidade”.

Luís Felipe Campos participa de partida nos Jogos Olímpicos de 2016
(Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo)

O Professor Doutor em Educação Física e que atualmente trabalha na Universidad Del Bío-Bío, no Chile, conclui. “Todos os povos unidos pela paixão ao esporte. Esse é o significado da bandeira dos Jogos, criada pelo francês Pierre de Coubertin, mas a paixão pelo esporte não deve sobrepassar a integridade física e emocional dos participantes”.