“Estão tentando denegrir minha história”, diz Giva sobre projeto da parmegiana

Por André Roedel

O vereador e presidente da Câmara de Vereadores, Givanildo Soares, o Giva (PROS), recebeu a reportagem do Periscópio em seu gabinete na tarde de segunda-feira (18) para falar a respeito da polêmica que se instaurou em torno do projeto de lei nº 13/2019, de sua autoria, que declara o filé à parmegiana Patrimônio Cultural Imaterial da cidade de Itu.

“Infelizmente hoje a sociedade propaga o que não conhece por ignorância do assunto. Escutam ou leem algumas informações, eu não diria falsas, mas distorcidas e começam a propagar e fazer pré-julgamento”, disse o vereador, que está em seu quarto mandato e sempre frisa que não tem medo da repercussão, seja ela negativa ou positiva.

“Estão tentando denegrir a minha história de quatro mandatos com um projeto que só vai agregar à Cultura”
GIVANILDO SOARES

Segundo Giva, o proprietário de um restaurante da cidade o procurou para que a lei fosse criada. A inspiração dele veio após uma matéria ser veiculada no jornal “Estadão” em janeiro, dando conta que o sanduíche bauru tinha tornado-se Patrimônio Cultural Imaterial de São Paulo. A lei 16.914, aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo, foi promulgada pelo ex-governador Márcio França (PSB) no dia 28 de dezembro de 2018.

Giva, então, achou justo que a parmegiana também fosse considerada, uma vez que o prato é reconhecido nacional e até internacionalmente. O vereador também deu outros exemplos de leis semelhantes pelo Brasil, como a que torna a coxinha de queijo Patrimônio Cultural Imaterial de Jundiaí.

A ideia, segundo o proprietário do restaurante, é fomentar o turismo e sinalizar o filé à parmegiana como um “prato ituano”, uma vez que diversos restaurantes contam com a iguaria em seus cardápios. Porém, assim que protocolado, o projeto começou a gerar polêmica principalmente nas redes sociais, onde foi ridicularizado por páginas sobre Itu.

Mas Giva diz não se incomodar com isso e comenta sobre quem está por trás dessas páginas. “São pessoas anônimas, que têm pretensões políticas e vão usar de quem está no poder”, declara. “Eles querem alguém que sirva de trampolim para aparecerem, para estarem aqui no próximo mandato”.

Para ele, a repercussão foi grande pela maldade das pessoas, que têm interesses, e também pela ignorância de quem não sabe o que ocorre na Câmara. O vereador, porém, não vê a repercussão em torno do projeto como negativa, pois, segundo ele, seu objetivo – de elevar a cidade – foi alcançado. “Eu dei entrevista para o G1, para o SBT, para outras mídias”, disse.

O presidente da Câmara também diz que o projeto só ganhou tamanha repercussão por conta da proposta encabeçada por ele de iniciar a construção de um novo prédio para o Legislativo ituano. “Eu estaria preocupado se a Câmara estivesse sendo construída e falassem: ‘olha, ele está superfaturando’. O que não é o caso. Estou atendendo a necessidade dos funcionários de carreira”, comentou Giva, que confirma que vai tentar iniciar a construção.

Patrimônio Cultural Imaterial
Mas afinal, o que é Patrimônio Cultural Imaterial? Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Patrimônio Cultural Imaterial ou Intangível compreende as expressões de vida e tradições que comunidades, grupos e indivíduos em todas as partes do mundo recebem de seus ancestrais e passam seus conhecimentos a seus descendentes.

Novos projetos
Além do projeto da parmegiana, Giva quer elevar outros símbolos ituanos ao posto de Patrimônio Cultural Imaterial da cidade. Um deles é o “Estouro do Judas”, tradição de Páscoa que só acontece em Itu. “Ninguém estoura o Judas. Malham, mas estouro é só aqui”, disse o edil, que quer homenagear o saudoso Zico Gandra, um dos principais organizadores do estouro na cidade.

Outro símbolo da cidade, os exageros promovidos pelo também saudoso humorista Simplício também deverão se tornar patrimônio local. “Nós só vamos ganhar com isso”, disse. “Isso não muda em nada os trabalhos da Câmara. Simplesmente é uma simbologia para divulgar a cultura”, prossegue.

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