A Forma da Água

Por André Roedel

Um dos fortes concorrentes ao Oscar chega aos cinemas brasileiros nesta semana. A Forma da Água, novo filme do diretor Guillermo Del Toro (vencedor do Globo de Ouro deste ano), é uma homenagem ao passado, principalmente aos longas-metragens de monstros do século XX, à inocência e também ao romance. Por que não?

O filme mostra uma história um tanto esquisita quando vista pela primeira vez – aquela velha sensação de estranheza que o diretor mexicano sempre emprega em suas obras. Eliza Esposito (Sally Hawkins em seu auge) é uma mulher muda e de uma pureza ímpar que trabalha como faxineira em um laboratório do governo norte-americano em plena Guerra Fria. No local, ela acaba se afeiçoando a uma cobaia.

Só que a cobaia não é normal: é uma criatura aquática e perigosa (vivida por Doug Jones, parceiro de longa data do diretor). A forma como esse romance é desenvolvido pelo roteiro (também assinado por Del Toro) é de uma sutiliza e beleza fora do comum – mesmo com uma ponta de pieguice em certos momentos. Essa beleza do filme é reforçada por todo o seu aspecto técnico, que é digno de muitos elogios e aplausos.

Da maquiagem que captou a essência dos anos 1950, passando pelo design de produção que caprichou em toda ambientação dos cenários até a bela fotografia repleta de tons de azul e verde marinho, A Forma da Água se mostra um filme extremamente caprichado, feito por quem e para quem admira mesmo a sétima arte. Um deleite.

As atuações marcantes de Michael Shannon e Octavia Spencer, mas principalmente da protagonista, dão ainda mais qualidade ao filme. Por interpretar uma muda, Sally Hawkins acaba vencendo um grande desafio. Sem pode contar com a fala, precisa “falar” com o corpo – e isso ela consegue fazer com maestria. O resultado é uma trama em que todos os elementos se encaixam e fluem naturalmente como um grande e belo rio.

A Forma da Água faz uso de artifícios narrativos muito interessantes para auxiliar a protagonista a “falar”, como o uso de trechos de filmes e músicas de fundo que acabam sendo a expressão dos sentimentos de Eliza. Tem até apresentação musical da “brasileiríssima” Carmem Miranda numa TV em determinado momento!

Extremamente poético, A Forma da Água traz discussões e mensagens interessantes sobre racismo, aceitação, amor e amizade de uma forma fantasiosa e fantástica, envolvendo o espectador numa trama de beleza inigualável. Vale o ingresso!

 

Nota:

 

 

.