‘Futebol precisa voltar em São Paulo’

Paulo Silvestri falou sobre o momento (Foto: Arquivo)

O gestor do Ituano, Paulo Silvestri, falou sobre o atual momento do futebol paulista, que está paralisado devido aos problemas decorrentes da pandemia. Para o gestor, “estamos vivendo uma situação diferente daquela que vivemos em 2020. Há um ano, os clubes se reuniram e decidiram parar o campeonato de forma voluntária, voltando a disputar quatro meses após. Desta vez, fomos surpreendidos”.

Silvestri destaca que “apesar de implementarmos protocolos muito bem estruturados, desenvolvidos com muita cautela, recebemos uma proibição de jogar no Estado de São Paulo. Isso nos entristeceu. Nós, clubes do Paulistão, entendemos que a história do futebol durante o Covid foi uma história positiva. Nós conseguimos manter a situação sob controle”.

“Nós conseguimos manter os protocolos rígidos de segurança e saúde”

O gestor afirma que “todos os procedimentos adotados de testagem em massa dos jogadores, comissão técnica e colaboradores em geral dos clubes, estava gerando um ambiente seguro para treinos e prática do futebol”. Ele, entretanto afirma que embora chateado, “temos, obviamente, que acatar a determinação”.

Paulo Silvestri garante que desde o começo, quando foi criado o protocolo de segurança e saúde do Ituano, o clube exigiu que todos assinassem o documento, se comprometendo a cumpri-lo. “Tudo foi levado muito a sério desde o início. Cabe ao clube colocar as regras, a infraestrutura necessária para que as regras sejam cumpridas, mas principalmente aos integrantes que se atentem e colaborem em defesa própria e em defesa do colega também”.

Lembrando que o fator educacional é muito importante, o gestor lembra que o clube distribui muita informação por intermédio do Departamento Médico do clube e todos não apenas praticam no clube, como levam os conhecimentos para seus familiares e pessoas próximas.

É claro que tudo isso gera um custo. O Ituano realiza testes semanalmente e mantém uma casa, há quase um ano, onde jogadores testados positivos passam por isolamento e outros custos são bancados pelo clube visando a saúde e segurança dos envolvidos.

“O clube manteve atletas e funcionários recebendo em dia”

“Agora, em 2021, a conta dos testes é dos clubes. Cada testagem semanal é uma conta pesada e nós não temos alternativa. Vamos continuar fazendo, vamos fazer a nossa parte, mas tudo isso é mais um recurso que se vai e não estava no nosso orçamento”.

Sempre muito organizado, o Ituano mantém uma casa onde atletas e/ou funcionários que tem suspeita ou testam positivo podem ficar isolados em segurança. Essa casa tem toda a infraestrutura para que se alguém testar positivo o clube não precisar sair correndo em desespero. “Há um plano total que foi muito pouco utilizado, graças a Deus, mas que está pronto para qualquer situação. Estamos sempre alertas contra um inimigo invisível como este”.

Silvestri destaca que além de todo o staff que o clube já tinha e que era bem conhecido principalmente pela imprensa, hoje há ainda uma equipe de limpeza e higienização, a segurança é redobrada, os locais onde atletas e membros do clube usam são delimitados. “Há um ano, aqui não temos recebido visitas, não vem familiares, não vem agentes, pessoas que nada tem a ver com o futebol não passeiam por aqui. Quem não precisa estar aqui não frequenta nem a sede do clube, nem o CT”.

O dirigente reforça que “nós temos um sentimento muito grande e uma compreensão muito grande pela tragédia que está se abatendo pelo mundo e especificamente me nosso país. O número de contaminados, o número de óbitos, é assustador”.

“Esse drama da pandemia vai marcar para sempre. Vai entrar na história da humanidade”

Finalizando Paulo Silvestri diz que mais que ninguém entende tudo isso. “Nós entendemos, nós estamos fazendo a nossa parte, então entendemos que é injusto nós não seguirmos com a nossa atividade, que é futebol, que é apreciada por milhões de brasileiros pela televisão. Nós fomos praticamente a única atividade econômica que praticamente não mudou em nada seu protocolo. Os shoppings puderam abrir, os restaurantes puderam abrir, as lojas… todas as atividades econômicas, puderam voltar de uma maneira ou de outra, mas o público nos estádios não voltou.. Então entendo que deveríamos ter um reconhecimento do poder público de que o futebol, desta forma, está funcionando e que ele pode seguir sendo praticado”.

Nós mantivemos um protocolo rígido e estamos tendo sucesso”

Para Paulo Silvestri se a prática do futebol continuar sendo impedida após 30 de abril, “será uma nuvem negra terrível que está pairando, e que não pode se materializar. Temos certeza que as consequências para aqueles que dependem do futebol, para a enorme comunidade das pessoas que trabalham com o futebol, que é um importante setor econômico do Brasil, as consequências seriam dramáticas, trágicas. Nós estamos preparados para voltar a jogar a partir de 31 de março e contamos com a liberação que fizemos por merecer, mercê a nossa organização, ao nosso sacrifício”.

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