Inédito, álbum de figurinhas do Mundial Feminino tem baixa procura nas bancas

Por Daniel Nápoli

Foto – Daniel Nápoli
Álbum da Copa do Mundo Feminina custa R$ 8,90 e o envelope com cinco figurinhas, R$ 2,50. Pacote com 60 sai por R$ 30. Ao todo são 480 cromos com as 24 seleções e os estádios

A editora Panini lançou, no último dia 23 de abril, o álbum de figurinhas da Copa do Mundo da FIFA de Futebol Feminino 2019. No que diz respeito a modalidade feminina a iniciativa é inédita, com a coleção sendo uma febre nos mundiais masculinos entre pessoas de todas as idades.

Só para contextualizar, paralelamente, além do álbum do mundial feminino, está sendo comercializado pela mesma editora o álbum da Copa América de Futebol Masculino. A Copa Feminina acontecerá entre 7 de junho e 7 de julho, na França, enquanto que o torneio continental será realizado no Brasil, entre 14 de junho e 7 julho (a final de ambos os torneios ocorrerá no mesmo dia).

Diante disso, diversos questionamentos sobre igualdade de gêneros e as constantes discussões sobre a disparidade de público e cobertura midiática entre o futebol masculino e o feminino surgiram. O Periscópio foi até bancas de jornais e revistas para saber como está a procura pelo álbum do mundial feminino.

A iniciativa da editora surpreendeu a empresária Marluce Oliveira de Lima. “A gente estranhou bastante, por enquanto a procura não está grande, pois o pessoal não tem muita informação. Alguns clientes estão comprando, pois chegam aqui na hora e descobrem que tem, mas por enquanto está devagar. O do masculino, antes de a gente receber o álbum, o pessoal já sabe, vem procurar, e o do feminino não tem muita divulgação”, explica.

Já a empresária Célia Regina Corazza também vê na falta de divulgação um entrave, mas acredita que não seja por outras questões a não ser o fato do ineditismo da ação. “Na verdade a divulgação não está grande, apenas na televisão e em cartazes que vem pra gente, mas é bem pouco e a procura está baixa, agora é que está começando e dependemos da própria editora para divulgação”.

Especialista em Gestão de Projetos Culturais e Eventos, com atuação na área de Museulogia há mais de 15 anos, atuando no Museu da Energia de Itu, Ana Paula Sbrissa, que já auxiliou em diversos projetos de debates sobre a mulher no futebol, comentou suas impressões a respeito do apelo pelo álbum estar menor com o futebol feminino do que em Copas do Mundo masculinas.

“Das ações em Copas do Mundo, o álbum de figurinhas é a peça mais emblemática e cativa principalmente as crianças e eu, enquanto adulta, indo comprar o álbum na banca, senti que dentro das próprias bancas tem uma certa dificuldade de se localizar o álbum e de se fazer as trocas de figurinhas. Essas pequenas ações podem incentivar as pessoas a admirar o futebol e a reconhecer o esforço dessas mulheres que jogam pela nossa seleção, porque é um trabalho difícil você ser reconhecida, é um meio preconceituoso”.

Ana Paula acrescenta. “Essas pequenas coisas do dia a dia é que vão fazer as pessoas mudarem, ir lá, comprar o álbum, fazer a troca das figurinhas e olhar aquelas mulheres que batalham diariamente. E a gente tem no mesmo período da Copa do Mundo a Copa América, e você chega na banca e pede o álbum da Copa, imediatamente te dão o da Copa América, e não te apresentam o da Copa Feminina. Outra coisa interessante: na Copa do Mundo passada você tinha vários aplicativos para controlar as figurinhas e este ano você não tem absolutamente nada. No site da editora não tem nada, você tem que fazer manualmente. É bem complicado”.

Apesar de a Rede Globo ter anunciado que transmitirá pelo primeira fez o mundial feminino, Ana Paula crê que ainda há muito o que ser feito. “Falta um pouco dos pais terem essa visão mais aberta e mostrarem para os filhos que existe algo além da seleção masculina, algo além do Neymar. Eu acho que futebol no Brasil hoje é o que mais reflete a desigualdade entre homens e mulheres, apesar de a gente ter a melhor jogadora do mundo (a Marta). Acho que falta mais dos adultos mostrarem para os mais novos, para essa nova geração, que o futebol feminino é tão bom quanto o masculino e merece a mesma atenção, não só de nós, quanto espectadores, mas também da mídia, principalmente das TVs abertas”.

Ações
Ainda de acordo com Ana Paula, o Museu da Energia de Itu estuda a promoção de ações durante o Mundial. “Em outras Copas, nós fizemos alguma ação e agora estamos pensando em criar alguma coisa. Não sabemos se será abrir o museu para as pessoas assistirem aos jogos aqui ou mesmo abrir para a troca de figurinhas, para incentivar. Não só a troca para a Copa Feminina, se tiver da Copa América e as pessoas quiserem vir, serão todas bem-vindas, não tem que privar um para privilegiar o outro. As pessoas precisam conviver, aprender a coexistir e dar oportunidade para todo mundo e todo mundo conhecer”, conclui.

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