João Verderi: uma vida a serviço da música

Por Daniel Nápoli

João Verderi regendo a Banda do Carmo Foto: Arquivo pessoal

Nascido em 11 de dezembro de 1964, o maestro e professor João Verderi Júnior possui uma trajetória de destaque na música de Itu e região. O talento, no entanto, vem de família.

Sobrinho-neto do clarinetista Sebastião Verderi, filho de Vilma Pimentel Melo Verderi (que realizava aulas de piano na adolescência) e irmão de Dóris e Daniel (que tem o violão como instrumento musical), João iniciou suas atividades na música ainda na infância, aos 10 anos de idade, na Corporação Musical União dos Artistas, iniciando estudos com o maestro Anísio Belcufiné.

Na adolescência, aos 15 anos, já dava aulas de música na Banda União, ali permanecendo até o ano de 1985, quando se transferiu para o Conservatório Municipal “Henrique Castellari”, de Salto, onde é professor até os dias atuais.

Durante este tempo, ingressou também na Corporação Musical Nossa Senhora do Carmo a convite de Jesuíno Fontana, que tocava sax tenor e também fazia parte da diretoria e, sob regência do maestro Ciro Rocha, passou a participação das apresentações da banda. 

No ano de 2002, com a saída do maestro Geraldo Domingues, João Verderi passou a reger a Banda do Carmo, permanecendo como maestro por seis anos. Ao Periscópio, o músico relembra a carreira. “Já toquei sax de harmonia, trompa, trombone de pisto, bombardino, trompete, tuba e trombone de vara e participei de diversos concursos musicais com a Banda União dos Artistas, conquistando primeiro lugar em algumas ocasiões”.

Verderi também recorda que se apresentou em casamentos e outros eventos na capital paulista. Atuou ainda em bandas de samba-rock e pop-rock. Atualmente, além do Conservatório Henrique Castellari, faz parte da Corporação Musical Villa-Lobos de Indaiatuba e da Banda do Carmo, onde é trombonista.

“Com 15 anos de idade eu já sabia o que queria, que era viver de música. Ia ser difícil, sim, mas qualquer profissão hoje em dia não te dá garantia. E com a música é a mesma coisa, e nesse país é pior ainda. A cultura é deixada de lado em prol de outros benefícios”, afirma.

Ao falar do interesse das novas gerações pela música, o professor analisa. “Os mais novos não têm tanto interesse em viver de música, eles tratam música como terapia, alguns adultos também, um hobby ou uma terapia. Eles substituem muitas vezes o trabalho de um psicólogo por música. Alguns procuram as aulas por causa da igreja; 95% dos meus alunos são evangélicos. Não vejo mal nenhum, vejo por um lado que é bom que eles procurem aprender ou corrigir o que eles aprenderam de errado para que eles possam passar isso e fazer com que os outros músicos que estão com eles evoluam também”.

João explica que mesmo a música sendo tratada como um hobby pelos jovens, a procura por ela é pequena, mas intensa. “Principalmente pelos evangélicos. Eles gostam muito da música clássica, da música erudita. Eles ouvem, assistem concertos, eles pagam para assistir concertos de orquestra sinfônica, tanto OSESP tanto de orquestras estrangeiras. Mas são poucos. Se a gente for comparar com a maioria dos não evangélicos, a procura é bem pequena”.

Com a experiência de 40 anos como professor, João aconselha aqueles que estão começando a se interessar por música e desejam ingressar na área. “Procurar orientação não só aqui na cidade, pois eu acho muito pouco, tem músicos professores na Banda União, na Banda do Carmo, no Conservatório de Salto, mas procurar outras escolas aqui por perto, até mesmo em São Paulo. Os professores da EMESP (Escola de Música) podem auxiliar muito mais, te dar orientações para que você possa seguir ou optar por outros grupos que tem tanto na cidade de São Paulo quanto no estado, quanto no território nacional, tem músicos que recebem orientações para tocar fora do país”.

O maestro acredita que atualmente há carência de orientação e informação. “É isso que falta, além de falar, além de o professor explicar tudo o que você tem que fazer tanto na parte musical quanto fora dela, investir em idiomas, estudos para você não chegar de mão vazia, tanto aqui nos grupos internos do Brasil quanto fora do Brasil”.

João, que também integrou a Sambrasil entre 1981 e 1986, analisa ainda o cenário musical no Brasil. “Infelizmente a música aqui no país não é valorizada. A gente precisaria ter incentivo do governo e isso não acontece. A gente procura incentivos de empresas privadas, mas em troca a gente vai oferecer o quê? A maioria das empresas preferem o que os seus funcionários gostam. O que eles gostam, Funk? Sertanejo? Pagode? E música clássica? Alguém já ofereceu música clássica pra eles? O que está faltando é oferta. Oferecer o que todos os outros músicos já fazem nesses gêneros, vai continuar a mesma coisa”.

O professor acrescenta. “Se o incentivo fosse dado para a música clássica, a música erudita, música de câmara, seria de grande valia”, conclui o professor, que disponibiliza seu telefone – (11) 94364-6514 – para contatos com possíveis novos talentos musicais de Itu e região. 

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