Jogador Nº 1

Jogador Nº 1

Por André Roedel

Steven Spielberg é um dos maiores diretores da história do cinema – e até quem não acompanha muito a sétima arte sabe disso. Porém, ultimamente, seus filmes já não vinham carregando o encanto de clássicos como Tubarão e ET – O Extraterrestre. Havíamos perdido o Spielberg raiz, que domina a cultura pop com competência ímpar. Isso até a estreia de Jogador Nº 1, sua nova produção.

Baseado no livro homônimo de Ernest Cline, o filme é uma grande homenagem aos videogames e toda a cultura de livros, quadrinhos, séries de TV e outros filmes destinados ao público nerd/geek. São inúmeras as referências a personagens como Batman, Robocop e King Kong.

Em Jogador Nº 1, o jovem Wade Watts (Tye Sheridan) vive em um futuro distópico em que a humanidade passa mais tempo em um jogo de realidade virtual, o OASIS, do que na própria realidade. Esse jogo, criado pelo excêntrico James Halliday (Mark Rylance, em atuação especial), acaba causando disputas pelo prêmio escondido pelo seu próprio idealizador – o que acaba gerando repercussão também na vida real.

Extremamente bem elaborados, os efeitos visuais do filme são um grande show à parte. A captura de movimentos é executada de uma forma tão caprichada que o real e o virtual se misturam, dando a sensação exata que Spielberg queria passar. Porque Jogador Nº 1, apesar de um entretenimento de primeira, também carrega críticas à sociedade de consumo que vivemos e questiona até que ponto devemos ser reféns das máquinas.

Além dessa crítica, o filme tem toda uma carga de nostalgia que aquece o coração de qualquer um que viveu entre as décadas de 1980 e 1990 – talvez as mais repletas de elementos que consolidaram a cultura pop. Jogador Nº 1 tem momentos de riso, de emoção, de sensualidade e de tensão, também conseguindo reverenciar o próprio cinema (a cena em referência a O Iluminado é uma das melhores coisas dos últimos anos).

Nem tudo é perfeito, claro. A trilha sonora repleta de hits oitentista é bem bacana, mas peca em alguns momentos quando se torna instrumental. O roteiro e algumas soluções encontradas para certos problemas também são forçados um bocado, além do pouco tempo de tela para os personagens de “carne e osso”. Mas nada disso atrapalha a experiência de quem ama e sempre acompanhou clássicos como Goonies, Indiana Jones e Star Wars. Jogador Nº 1 é um prato cheio para quem gosta do universo dos videogames, sabe o que é Gundam e sonha em dirigir um DeLorean – de preferência que viaje no tempo! Vale o ingresso!

 

Nota:

 

 

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