Líder relata ‘economia milionária’ no Departamento Municipal de Trânsito

A sessão ordinária da Câmara de Vereadores da última semana começou agitada. Logo na leitura do Expediente, um requerimento de autoria do vereador José Galvão (DEM) foi lido e votado. A solicitação do opositor ao atual governo municipal cobrava informações referente aos recursos provenientes das multas de trânsitos.

Antes do pedido ser votado, o líder do prefeito Guilherme Gazzola (PL) no Legislativo, vereador Thiago Gonçales (mesmo partido) pediu questão de ordem para relatar, segundo ele, economias feitas pela atual gestão no Departamento Municipal de Trânsito. De acordo com o edil, a administração não renovou dois contratos com empresas.

“O contrato com a Sinal Ronda, no valor de R$ 340 mil mensais, empresa essa que era responsável pela sinalização de trânsito, serviço que hoje é feito pela própria Secretaria de Trânsito, economizando quase R$ 4 milhões anuais. Outra empresa que participava dessa ‘farra com dinheiro público’ é a Sindata, responsável em administrar e processar as multas, e depois enviar à Prodesp – que é a empresa oficial responsável para esse trâmite”, explicou o parlamentar, que prosseguiu.

“A própria Prefeitura poderia fazer contrato direto com a Prodesp, e o que está sendo feito desde outubro, quando acabou o contrato. Era pago, aproximadamente, R$ 114 mil mensais por esse serviço. Serviço que hoje a própria secretaria faz com servidores públicos, gastando em média R$ 15 mil mensais – uma economia de quase R$ 100 mil por mês e mais de R$ 1 milhão anuais economizados e investidos na cidade”, relatou.

Gonçales ainda afirmou que o prefeito Gazzola determinou que fossem “proibidos radares na cidade”. “Os radares existentes na cidade de Itu são estaduais. Municipais não existem radares. Então mostra que antes se multava mais, arrecadava mais e se investia menos, muitas vezes até fechando no vermelho”, disse o líder.

Segundo o vereador, com a economia foram adquiridos novos equipamentos, como dois caminhões novos, máquina de pintura e um veículo específico para manutenção de semáforos, com plataforma. Antes, o serviço era improvisado com uma pá-carregadeira. O líder também destacou que o número de óbitos decorrentes de acidentes de trânsito caiu em Itu, chegando a apenas seis no ano de 2019.

Discussão

Em seguida, o líder orientou que os vereadores da base votassem contra por já ter as respostas, mas Galvão pediu que eles reconsiderassem. “Se votarem contrário, parece que dá uma conotação que o Executivo municipal tem alguma coisa a esconder”, disse ele, destacando que a atual gestão fez diversos contratos em outros setores e o importante é a aprovação no Tribunal de Contas.

Em seguida, o líder deixou a critério dos vereadores, mas rebateu. “A gente está mostrando economia e fala que se a empresa passou no Tribunal de Contas está tudo em ordem. Os caras ‘deitavam e rolavam’ com a gente aqui, com dinheiro público. Era brincadeira o que acontecia em Itu e não era investido nada no trânsito. Era uma palhaçada”.

Galvão cutucou o colega, citando ex-deputado Valdemar Costa Neto, que foi cassado e está afastado oficialmente do comando do PL – partido de Gonçales – desde sua prisão por envolvimento no mensalão do PT. “Mas a gente sabe que toda a articulação passa por ele. Então ele tem que tomar cuidado quando fala de corrupção, porque ele tem um líder que, em termos de corrupção, tem muita experiência e sabe muito bem o que é”.

O presidente da Câmara, Ricardo Giordani (PL), tentou apaziguar e impediu novas questões de ordem. “Não tem nada a ver com a nossa sessão de Câmara falar de deputado. A gente está falando da cidade de Itu. Qualquer partido político se você for ver por aí tem problemas. Nenhum partido está isento a isso”, disse. O requerimento foi aprovado com um voto contrário de Givanildo Soares (Cidadania).

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