Mabe teria falido por conta de esquema em benefício de sua matriz mexicana

Quando fechou, fábrica da Mabe em Itu deixou mais de mil funcionários desempregados. Foto – Arquivo

A Revista Veja publicou nesta semana em seu site que um “esquema bilionário” teria sido responsável pela quebra do grupo Mabe Brasil, que possuía fábrica na cidade de Itu. Segundo a nota, a Capital Administradora Judicial, responsável pela administração da massa falida da empresa, afirma que os controladores Luis Berrondo e Francisco Berrondo beneficiaram indevidamente os cofres da matriz mexicana.

“Esse esquema, afirmam, teria drenado recursos da filial brasileira até levá-la à quebra, em 2016”, aponta ainda a nota. O “Periscópio” entrou em contato com a Capital que, através do departamento jurídico, encaminhou a íntegra do Relatório de Responsabilidades protocolado na última semana na 2ª Vara Judicial do Foro da Comarca de Hortolândia/SP – cidade que também tinha unidade do grupo.

De acordo com o documento, “os controladores da falida optaram por medidas que – efetivamente – majoraram o passivo da empresa, sem lograr retorno financeiro para a mesma”. “Em outras palavras”, prossegue, “sabendo ou devendo saber sobre a perspectiva de liquidação da empresa e a fim de garantir que não se configurasse a insolvência, deveriam os controladores tomar as medidas necessárias a garantir o pagamento de todos os credores, sendo que em não o fazendo, são pessoalmente responsabilizados pelo passivo insolvente”.

O passivo deixado, segundo o documento, é de R$ 1,151 bilhão. No aspecto criminal, o relatório aponta crimes como fraudes a credores aos diretores da filial brasileira e também aos executivos da matriz da empresa, fundada na década de 1940 na Cidade do México e que avançou para o Brasil em meados da década passada.

O relatório agora deverá ser analisado pelo juiz responsável. O JP tentou contato com a matriz mexicana, porém o site com o contato de imprensa estava fora do ar até o fechamento desta matéria.

Histórico

A Mabe Brasil entrou com um pedido de recuperação judicial (medida legal destinada a evitar a falência) no dia 3 de maio de 2013. A medida, segundo comunicado emitido na época, foi tomada devido a problemas de liquidez. A intenção da empresa era reestruturar sua operação, mas o que na verdade aconteceu foi o encerramento das atividades da fábrica em Itu, deixando 1,3 mil funcionários desempregados. Em dezembro de 2015 foi a vez do encerramento das atividades das fábricas em Campinas e Hortolândia, o que culminou no decreto de falência em 2016. (André Roedel)

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