O Menino Que Queria Ser Rei

Por André Roedel

A história do Rei Arthur já foi contada e recontada incontáveis vezes, tanto pela literatura quanto pelo cinema. O Menino Que Queria Ser Rei é mais uma nova forma de contar o clássico do lendário líder britânico, mas agora em uma roupagem infantojuvenil e abordando temas atuais, como o bullying. Porém, o filme perde a oportunidade de ser uma versão marcante por não contar com nenhum elemento que justifique.
O longa-metragem dirigido por Joe Cornish (mais conhecido por seus trabalhos na TV e como roteirista de cinema) mostra a história de Alex (vivido por Louis Ashbourne Serkis, filho de Andy ‘Gollum’ Serkis), um menino que junto de seu melhor amigo sofre com dois valentões do colégio onde estuda. Certa vez, fugindo da dupla de encrenqueiros, o garoto acaba parando em um canteiro de obras onde convenientemente se depara com uma espada cravada em uma pilastra desmoronada.
A tal arma branca é na verdade a lendária Excalibur, arma empunhada pelo Rei Arthur. Alex consegue a retirar e acaba destinado a impedir que a maligna Morgana (Rebecca Ferguson) semeie o mal por toda a Grã-Bretanha. A premissa é igual a toda aventura voltada para o público formado basicamente por crianças e pré-adolescentes – e a execução também é a mesma.
Os efeitos são razoáveis e lembram a de um telefilme – se bem que até séries como Game of Thrones conseguem produzir elementos computadorizados melhores que este filme. As atuações são medianas, mas há de se levar em conta que o elenco principal é formado por inexperientes atores mirins. O filho de Serkis, porém, mostra tino para coisa. Das demais participações, Rebecca Ferguson tem a sua mais desprezível atuação e o veterano Patrick Stewart é comedido.
O filme acerta em tocar num delicado tema como o bullying, mas erra em tratar de forma muito superficial e apelando para frases feitas. A representatividade se faz presente no longa, já que há uma menina forte e negra (Rhianna Dorris) e os meninos protagonistas são baixinhos e gordinhos. Porém, enquanto aventura, O Menino Que Queria Ser Rei é muito simplório e não mostra nada de diferente. Tem o mesmo formato já consagrado por outros filmes do gênero e o roteiro básico não colabora com reviravoltas mais empolgantes.
Em resumo, o filme faz o “arroz com feijão” em vários quesitos, tem uma história divertida apesar de simples e sem inovações e enquanto produto artístico agrega pouco, mas vale como um entretenimento descompromissado. Só que foi lançado após o período de férias, errando em atrair seu principal público e com isso deve ter vida curta nas telonas do cinema. O negócio é esperar que seja exibido na “Sessão da Tarde”…

Nota: 2,5 estrelas

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