>>> Periscópio Entrevista: Márcio França

Na noite da última segunda-feira (02), o então vice-governador do Estado de São Paulo, Márcio França (PSB), esteve em um encontro com prefeitos da região e lideranças políticas em Itu. Na oportunidade, o “Periscópio” fez uma entrevista exclusiva com o agora governador, que assumiu o posto na tarde de ontem (06), após a renúncia de Geraldo Alckmin (PSDB) – que será candidato à presidência da República.

Na oportunidade, França se apresentou para o eleitor, falou de seu jeito de governar e aproveitou para cutucar João Doria (PSDB), um de seus principais concorrentes na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

 

JP – Como foram os preparativos para assumir de fato o governo paulista? E como estão os preparativos para a campanha?

É um governo na continuidade do dele (Alckmin), claro que com boa parte daquilo que ele ensinou pra gente na convivência desses anos todos. No começo, nós temos três ou quatro meses que não é de campanha. São meses que as pessoas vão me conhecer, porque só 7% das pessoas de São Paulo sabem que eu existo. E todo mundo vai acordar no dia 7 (hoje) com uma certa surpresa. ‘Quem é o governador de São Paulo? O Alckmin saiu?’. Eu espero que os veículos de comunicação nos ajudem a mostrar que está assumindo o governo alguém que tem uma longa experiência, que foi prefeito da cidade mais pobre de São Paulo (São Vicente, na baixada santista), fui reeleito com 93% dos votos, tenho uma longa jornada em várias funções públicas. Trabalhei com o governador nos últimos oito anos em funções importantes. Trabalhei no poder judiciário, no poder executivo e no poder legislativo. Sou de uma família de servidores públicos, portanto tenho noção das minhas funções. Sou advogado e acho que, na medida que as pessoas me conheçam, um pouco da campanha vai indo no automático.

 

JP – O senhor vai ser o primeiro candidato a reeleição que não é do PSDB nos últimos 20 anos. Vai mudar o estilo de governar ou vai fazer um governo de continuidade?

Um governo de continuidade é no sentido de estabilidade financeira, da licitude, da integridade do governador (Alckmin). Agora, cada um é de um jeito. Eu venho do movimento estudantil, então é claro que meu patamar de conversa é outro. Meu jeito é mais aberto. O governador é muito recatado, muito quieto, um homem muito sozinho. Ele está há muitos anos na vida pública. É um homem impressionantemente idôneo e muito discreto, é o estilo dele. A gente vai procurar copiar as coisas boas que ele tem, mas eu não tenho como mudar o meu jeito de ser. Eu venho do litoral de São Paulo, então estou acostumado com as coisas mais populares. E vou, especialmente, me dedicar muito na questão da juventude. Eu acho que nós temos que criar alternativas para os jovens em São Paulo para eles poderem ter chance de chegar no patamar que outros conseguiram chegar. São Paulo é um grande estado, precisa fazer com que esse estado seja igual para mais gente.

 

JP – Deu para perceber na conversa com os prefeitos que o senhor vai manter um diálogo mais próximo com eles. É esse o caminho?

O pessoal brinca que vai ser um governador com cara de prefeito. No fundo é o seguinte: eu fui prefeito por oito anos. Como disse, fui reeleito com 93% dos votos. O prefeito de Campinas (Jonas Donizette), que é meu amigo, tem dito sempre: ‘pra você saber como é uma guerra, pergunte para quem foi pra guerra, ficou até o final e venceu’. Eu fui para a guerra, fiquei até o final e venci. Então é mais fácil você acertar com alguém assim do que perguntar para alguém que não foi pra guerra, ou foi para a guerra e não ficou até o final ou para quem não venceu. Eu penso que os prefeitos vão se identificar mais comigo porque a linguagem deles é uma linguagem que eles vão entender a minha. Não é uma coisa sofisticada, mas é bem a linguagem que eles estão acostumados a viver.

 

JP – Alckmin terá dois palanques no estado: o senhor e João Doria (pré-candidato ao governo pelo PSDB). Como vai ser essa divisão com o Doria?

Tem um do coração e um do corpo. O do coração é o meu, o resto você já sabe de quem é (risos). Ele (Alckmin) fala que vai deixar o estado de São Paulo em mãos seguras, honradas e experientes do Márcio França. E quando perguntam ‘e o outro?’, ele fala: ‘o outro é do meu partido’. Então é mais ou menos isso.

 

 

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