Periscópio Entrevista – Neide Coan

Foto: Daniel Nápoli

A entrevistada deste semana pelo “Periscópio” é Neide Olívia Coan Ferretti. Professora aposentada, ex-presidente do Solar Ituano de Menores e da AMAI e atual presidente do GAPISI (Grupo de Apoio, Prevenção e Informação ao Soropositivo de Itu), a dirigente comenta sobre os desafios à frente do grupo e também a respeito do “Dezembro Vermelho”, mês de conscientização e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. O GAPISI fica na Rua Fabiane dos Santos, 88, Jardim Padre Bento. Informações: (11) 4013-4477.

 

JP – Como surgiu a ideia da senhora participar do grupo?

Como fui presidente do Solar Ituano de Menores, acharam que eu tinha condições de ser presidente aqui também, no GAPISI. O grupo é muito pequeno e me convidaram para acertar a parte de documentação. Acabei entrando como voluntária e, posteriormente, me tornei presidente, cargo que ocupo há mais de 17 anos.

 

JP – Quais os desafios encontrados pela senhora à frente do GAPISI?

O maior desafio é pagar as contas. O prédio me foi entregue em mísero estado. Temos nossa diretoria que é pequena, mas eficiente, e estamos nessa luta. Um desafio muito importante é trazer mais as pessoas portadoras do vírus HIV ficar com a gente e isso é difícil, pois, além do preconceito e do medo, cada um tem seu trabalho. Para os que não têm emprego, gostaríamos de dar trabalho, mas para isso necessitamos de suporte financeiro.

 

JP – O GAPISI atualmente conta com parcerias? Se sim, quais são?

Sim, uma empresa (Starrett) nos dá parte de um salário mínimo, fazemos muitos eventos, bingo e nosso brechó para poder angariar fundos. Estou precisando muito de voluntário, que também nos dê ideias. A maior área que eu preciso é a de psicologia e assistência social. Além disso, com um suporte financeiro maior, poderíamos contratar, assinar a carteira de assistidos desempregados.

 

JP – Atualmente, o GAPISI possui quantos membros atuantes e quantas pessoas assistidas?

Temos aproximadamente 20 assistidos, que realizam aqui trabalhos com artesanato e atividades administrativas, entre outras. Quanto a voluntários, contamos com sete e na diretoria temos seis membros.

 

JP – Como funciona o processo com o assistido? Como é realizado o acompanhamento?

O AMI (Ambulatório de Moléstias Infecciosas), da Prefeitura de Itu, seria nosso núcleo principal, onde são feitos os exames e a direção de lá nos encaminha e direcionamos essas pessoas para alguma coisa. Eles vêm aqui, temos uma horta muito bonita em frente ao PAM (Pronto Atendimento Municipal), aqui no Jardim Padre Bento, com duas pessoas trabalhandocom registro de carteira e uma pessoa na parte administrativa. Se a pessoa que aqui nos procura tiver alguma tendência a fazer um trabalho terapêutico ou na informática ou no artesanato, tentamos direcioná-los, forçando assim para que saiam de suas casas, tenham uma atividade, uma distração.

 

JP – Sobre a campanha “Dezembro Vermelho”, o grupo prepara algo especial para este mês?

Estamos indo ao AMI falando do teste rápido, pois é importante que todos se cuidem, temos de nos cuidar, principalmente os jovens. Além do HIV, estamos tendo em alguns pontos do país epidemias de sífilis e de hepatite A. O povo tem que fazer alguma coisa. Estamos indo para rádios, outros meios de comunicação, para divulgar, conscientizar toda a população.

 

JP – De acordo com dados, do Ministério da Saúde, aproximadamente 5% da população acima de 65 anos, são portadores do vírus HIV no país. Existe em Itu algum trabalho específico de conscientização para os idosos?

Hoje, na verdade não é com o idoso que está o problema. Atualmente a maior incidência, não só em Itu, mas como em todo Brasil, é o jovem de 13 a 20 anos e também voltou a ser os homossexuais. O número de idosos aumentou, sim, mas com os jovens os casos são ainda maiores. É a falta de uso do preservativo. Temos vários assistidos com mais de 30 anos, mas dessa faixa que citei não nos procuram tanto, mas fazemos palestras, abrangemos todas as idades para a conscientização. Com um grupo de voluntários maior, poderíamos fazer muito mais campanhas. Infelizmente ainda há muito preconceito.

 

JP – Como deve proceder a pessoa que recentemente descobriu ser portadora do HIV?

Após passar pelo AMI, a pessoa pode nos procurar e auxiliamos na medida de nossas condições e como já havia dito, conforme ela tenha tendência para alguma atividade aqui conosco. Aceitamos também pessoas de fora da cidade, sem problema nenhum. Mas o auxílio que podemos dar é em atividades, e se necessário ou se pudermos, na aquisição de remédios, mas o tratamento médico é feito de uma outra forma, envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde. Não nos compete o tratamento médico. Aqui, auxiliamos de outra maneira, ocupando a cabeça deles, lhes dando uma atividade.

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