Preço do arroz aumenta em mais de 60% desde o início da pandemia em Itu

Diversos itens de cesta básica registraram alta, porém o aumento do preço do arroz foi o mais significativo (Foto: Daniel Nápoli)

Nesta semana, associações representativas do setor de supermercados lançaram cartas públicas chamando a atenção para a alta de preços de itens da cesta básica, que chega a superar 20% no acumulado de 12 meses em produtos como arroz, feijão, óleo de soja e leite.

De acordo com a avaliação das entidades, a alta – que vem crescendo durante a pandemia de Covid-19 – se deve ao efeito de câmbio sobre o aumento das exportações e diminuição das importações desses itens, além do crescimento da demanda interna que foi impulsionada pelo auxílio emergencial.

Até julho deste ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o índice de preços oficial do Brasil, acumulou alta de 2,31% em 12 meses, enquanto que, no mesmo período, o item de alimentação e bebidas subiu 7,61%.

“O setor supermercadista tem sofrido forte pressão de aumento nos preços de forma generalizada repassados pelas indústrias e fornecedores. A ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), que representa as 27 associações afiliadas, vê essa conjuntura com muita preocupação”, escreveu em nota oficial a entidade.

“Reconhecemos o importante papel que o setor agrícola e suas exportações têm desempenhado na economia brasileira. Mas alertamos para o desequilíbrio entre a oferta e a demanda da população, principalmente em momento de pandemia”, acrescentou a ABRAS em nota oficial.

Em Itu, é claro que a situação não seria diferente. Entre itens de cesta básica, o que mais aumentou foi o do arroz, assim como no restante do país. Para se ter uma ideia, a média de preço de um pacote de 5 kg de arroz nos principais supermercados da cidade até o mês de março, início da pandemia, era de R$ 12,50. Agora, está com uma média de R$ 20,46 – ou seja, um aumento de 63,68%.

Além do arroz, a reportagem do Periscópio realizou uma pesquisa em seis redes de supermercados de Itu avaliando alguns itens de cestas básicas quanto aos seus valores atuais. O quilo do feijão está custando uma média de R$ 6,70. Já o óleo de cozinha, tem como valor médio R$ 5,30. O açúcar, R$ 2,90, enquanto o leite está com o valor médio de R$ 4,59 o litro. Já as cestas básicas, entre 11 e 16 itens, estão com um valor médio de R$ 102,90, contra um preço médio de R$ 79,90 antes da pandemia, ainda no mês de março, de acordo com o apurado pela reportagem junto aos supermercados – aumento de 28,78%.

Para a publicitária Ketlin Cristine Antonio, de 37 anos, a alta não só do arroz, embora mais significativa, vem sendo sentida há algum tempo. “Mês a mês venho percebendo (a alta) e sentindo no bolso um aumento constante nos produtos de consumo básico. Alguns inclusive tiveram um aumento significativo e até absurdo”, opina. 

Ketlin fala ainda ao JP que entende o aumento, mas em partes. “Mas sabemos também que alguns estabelecimentos tiram proveito deste momento de crise praticando preços abusivos, pois sabem que as pessoas estão consumindo menos na rua e não vão deixar de comprar”. A publicitária acrescenta. “Numa situação ou outra, sempre quem paga os juros é a população. E o pior: os pobres pagam o mesmo que os ricos, não existe equidade ou equivalência”.

Governo e entidades respondem

Na última quarta-feira (09), o Ministério da justiça notificou supermercados e alguns produtores de alimentos para que, em um prazo de cinco dias, expliquem o aumento do preço dos alimentos que compõem a cesta básica. A alta gerou questionamento da Secretaria Nacional do Consumidor, uma vez que, ao longo do ano, o preço do arroz aumentou 19,2%, de acordo com o IBGE, mesmo com alta na produtividade da última safra. 

Ainda na quarta-feira (9), o Ministério da Economia confirmou que o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, após proposta do Ministério da Agricultura decidiu zerar a alíquota do imposto de importação para o arroz em casca e beneficiado até 31 de dezembro deste ano.

A isenção abrange uma cota de 400 mil toneladas e valerá para o arroz com casca não parboilizado, semibranqueado ou branqueado e o não parboilizado. A medida é considerada suficiente para ajudar a conter a subida no preço do arroz e garantir que não faltará produto na prateleira. 

Questionada a respeito dos aumentos, a Associação Paulista de Supermercados (APAS) informa que “tem reforçado, desde o início da pandemia, aos supermercados associados que continuem negociando com seus fornecedores e comprem somente a quantidade necessária para a reposição, bem como ofereçam aos seus consumidores opções de substituição aos produtos mais impactados por esses aumentos provenientes dos fornecedores de alimentos, que são provenientes de variáveis mercadológicas como maior exportação, câmbio e quebra de produção”.

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