Projeto que institui celebração do Dia da Umbanda em Itu é marcado por polêmica

“Somente estão repetindo o que foi feito com a religião evangélica lá atrás”, disse Macruz / Foto: André Roedel

O que era para ser mais uma votação de inclusão de celebração no calendário oficial de eventos da cidade se tornou uma grande discussão acerca do conceito de Estado Laico e liberdade religiosa. Nas sessões extraordinárias da última sexta-feira (14), o projeto de autoria do vereador Macruz (PTB), que inclui a celebração do Dia da Umbanda (15 de novembro) em Itu, foi marcado por polêmicas.

A propositura foi aprovada por 9 votos a 3. Foram contrários os vereadores José Galvão (DEM), Normino da Rádio (PHS) e Maria do Carmo Piunti (PSC), sendo que os dois primeiros fizeram discursos para justificar a posição. “Por uma convicção de fé deste vereador, votarei contrário, respeitando toda a liberdade, um país laico que nós vivemos”, disse Normino, afirmando ser contra a intolerância.

“A pior coisa que tem é querer estar com um pé em cada barco. Ou ser um vereador morno. Eu sempre procuro pautar o meu mandato com posturas”, comentou Galvão, dizendo respeitar a posição, mas que então teriam que ser criados dias para diversas religiões.

O vice-presidente Thiago Gonçales (PR) parabenizou o projeto de Macruz, dizendo que já votou medalhas religiosas, como a Medalha Daniel Berg – projeto de autoria de Galvão. Já Sergio Castanheira (PSD) disse que não abdica de sua religião (evangélico presbiteriano) e disse torcer para que os umbandistas se convertam ao cristianismo, mas votou favoravelmente.

“Acho que tudo focado para o bem vale a pena”, disse o presidente Mané da Saúde (PRB), que estuda a criação da medalha “Ciro Amantea” para o público espírita. “Se cada um partir pelo seu princípio religioso não se vota mais nada”, afirmou o líder Givanildo Soares (PROS), dizendo ainda que a Casa de Leis tem que “legislar para todos, sem distinção”.

Em justificativa, Normino disse que parece que tudo que é votado na Câmara é pensando em voto. “Que os umbandistas mandem seus representantes para cá também. Parlamento é isso”, dizendo que não pede voto em igreja. Já Ricardo Giordani foi incisivo: “Apenas deixar uma palavra àqueles que votaram contra: lamentável”.

Na segunda discussão, Macruz se pronunciou, dizendo que já esperava os votos contrários. “Quero dizer de antemão que não votarei contra nenhum projeto que vocês venham a fazer com relação à igreja a qual vocês fazem parte, que é a evangélica, que tem uma agenda muito extensa dentro dessa Casa”, disse o autor, relembrando que os evangélicos também sofreram preconceito no passado.

“Somente estão repetindo o que foi feito com a religião evangélica lá atrás. Estão alimentando o ciclo vicioso da ignorância, me desculpem”, prosseguiu. Normino respondeu, dizendo que tem a prerrogativa do voto. “Não sou obrigado a compactuar com o projeto”, dizendo que votaria contra também à inclusão da Parada LGBT no calendário de eventos. “Não há intolerância nenhuma, todos os segmentos tenho amigos e pessoas que conheço”, emendou.

Já Giordani suscitou o debate sobre Estado Laico. “Essa Câmara não é laica no sentido estrito da palavra. Existe um crucifixo pendurado atrás do presidente. É um estado laico? Existe medalha do padre Bento Dias Pacheco. A Câmara é laica? Existe a medalha pastor Daniel Berg. A Câmara é laica? Então me desculpem, mas se abriu a porteira, que seja para todos”, disse.

Pelas redes sociais, a Tenda de Umbanda Caboclo Gira Mundo Itu celebrou a inclusão do Dia da Umbanda no calendário de eventos da cidade. “Agradecemos a todos os envolvidos e de verdade, só queríamos poder festejar nossa religião em paz, sem inimizades ou provocações, todos nós ganhamos”, escreveram os representantes.

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