Tomb Raider: A Origem

Por André Roedel

Adaptações de super-heróis das histórias em quadrinhos estão mais que consolidadas no cinema, porém a transposição de personagens do videogame ainda sofrem um bocado. Exemplos recentes, como os fracassados Assassin’s Creed e Warcraft, comprovam que não é fácil transpor para as telonas a dinâmica de um jogo virtual.

Porque, na minha opinião, não basta recontar a história do game na linguagem cinematográfica: tem que adaptar a jogabilidade também. E isso Tomb Raider: A Origem, nova versão da história da destemida aventureira Lara Croft que está em cartaz nos cinemas, consegue quase que com maestria.

Quem jogou os games mais recentes da personagem vai, assistindo ao filme, se sentir como se estivesse com um controle nas mãos. A alternância de câmeras, os save points e os objetos utilizáveis estão presentes nesse longa-metragem. Aliás, muitas cenas do filme lembram as chamadas cutscenes dos games. Ponto para o jovem diretor Roar Uthaug, que consegue emular bem o espírito do jogo produzido pela Crystal Dynamics.

Assim como os jogos recentes de Tomb Raider são bem diferentes dos primeiros, esse filme destoa das duas produções cinematográficas do começo da década passada. A começar pela protagonista: sai a musa Angelina Jolie e entra a jovem Alicia Vikander, que já venceu um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. As diferenças entre elas vão mais do que apenas o físico. Enquanto a postura da primeira era de mais sexy e beirando o machismo (lembra da roupinha diminuta que ela usava?), a nova intérprete de Lara Croft é forte, independente e se preocupa mais com a intensa ação presente na trama.

E haja ação! A história se passa em uma ilha praticamente inabitada próxima ao Japão, onde uma misteriosa organização quer encontrar a tumba de uma imperatriz japonesa. Com a missão de entender o que ocorreu com seu desaparecido pai (Dominic West), Lara então parte para uma aventura repleta de segredos e muitas perseguições.

É claro que o filme não é prefeito e apresenta muitos clichês de roteiro, principalmente entre a relação pai e filha. Os mais saudosistas podem também pensar, por exemplo, que Tomb Raider é apenas uma cópia feminina de Indiana Jones. E não estão de todos errados: a franquia de games bebe muito da fonte do clássico de George Lucas. Mas também tem muita identidade própria e conceitos novos, até por ter uma intrépida personagem feminina ocupando o protagonismo.

Tirando algumas viradas previsíveis e vilões caricatos (o principal, vivido por Walton Goggins, é sofrível), Tomb Raider se prova como um bom entretenimento e estabelece ganchos para uma provável sequência. Espero que ela ocorra mesmo, pois quero ver mais dessa Lara Croft vivida pela talentosa Vikander.

 

Nota:

 

 

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