Três anos após “sonho”, moradores do Condomínio Alpes vivem um “pesadelo”

Com trâmites iniciados em 2013, na gestão do prefeito Antonio Tuíze, com processo de aprovação para o início das obras junto à Caixa Econômica Federal, os Conjuntos habitacionais Alpes I e II, localizados na Vila Martins, foram construídos com um total de 600 apartamentos e entregues em 2016. Os moradores começaram a se mudar para o local em março daquele ano.

Os contemplados com os apartamentos do programa “Minha Casa, Minha Vida” fizeram parte do processo de desfavelamento ocorrido no município, em especial do bairro Novo Itu, existente desde os anos 1980 e que contava com mais de 60 famílias. As unidades foram entregues com estrutura completa, com o valor pago pela prestação de 5% da renda familiar, podendo variar entre zero (para famílias sem renda) e até R$ 80 por mês.

No entanto, o que parecia enfim a tranquilidade para famílias que viveram por anos em situação irregular, mostrou-se a continuidade de problemas, de acordo com moradores do local. Em alguns casos, logo nos primeiros meses de moradia, alguns moradores reclamaram de rachaduras em seus apartamentos. Pouco mais de três anos após a mudança para o condomínio, as reclamações são outras.

Ao Periscópio, uma moradora que não quis se identificar por medo relata que o conjunto habitacional se tornou um lugar complicado para se morar. “A gente paga condomínio, mas não temos limpeza  e segurança. A gente tem uma empresa que parece que é de Campinas, que diz estar tomando conta do condomínio, mas a gente não tem certeza que isso é verdade. Essa empresa recolhe o dinheiro, mas a gente não tem síndico mais, não tem portaria, entra e sai quem quer”.

“A quantidade de lixo espalhado é grande, isso sem falar da falta de segurança. Esses dias, uma pessoa tentou entrar nos apartamentos de madrugada. Além disso, aqui está virando um ponto de tráfico de drogas. Estamos reféns, não temos seguranças para nossos filhos”. Outra moradora que preferiu o anonimato, por medo de represálias, desabafa. “Estamos vivendo em total abandono, não tem luz, tudo apagado, tudo bagunçado, vazamento de esgoto, a situação está difícil. Dá medo de ver como está aqui, cheio de barata, mosquito, escorpião e ratos”.

A reclamante reforça o medo com a falta de segurança. “Cobram condomínio, mas não tem portaria. Não tem controle. Vendedoras em fora de hora, pessoas vendendo drogas. Não sabemos quem é quem. O interfone está  quebrado e a gente tem até medo de abrir a porta. Isso sem falar que é barulho a noite inteira. Para quem trabalha e levanta de madrugada é ruim. A gente mora porque não tem outra opção”.

A moradora, assim como outros residentes, citam que há uma empresa que administra o condomínio, porém não sabem informar o nome ou o contato de representantes. No entanto, uma outra popular reclama da variação de valores na mensalidade.

“Cada hora tem um preço diferente. Um mês é R$ 100, em outro é R$ 150. Tiraram limpeza, segurança, tudo da gente. Está perigoso à noite. Estamos pagando esse preço para não ter benefício? A gente espera que as autoridades possam tomar providências, precisamos de ajuda”. Um outro morador revelou ainda que “algumas famílias venderam seus apartamentos no local, devido a situação, e outras unidades, que se encontravam vazias, acabaram invadidas”.

Autoridades falam
A respeito das reclamações, o JP esteve em contato com a Prefeitura de Itu, que por meio de nota esclarece que “as questões levantadas ocorrem no interior do Residencial Alpes, que oficialmente funciona em regime de condomínio, não estando sob a competência da Prefeitura”.

Também indagada sobre empresa responsável pela administração do Conjunto Habitacional, a Prefeitura disse não dispor do nome da empresa responsável pela manutenção do condomínio. O Periscópio também contatou a Caixa Econômica Federal e até o fechamento desta edição não obteve retorno a respeito dos questionamentos.

A respeito da segurança do Alpes I e II, reportagem questionou a Polícia Militar, que por meio de nota informa que “executa o policiamento ostensivo preventivo no local e imediações, além de realizar o policiamento repressivo imediato. Embora o referido local já conste no Cartão Prioritário de Patrulhamento, será readequado os horários e dias da semana a fim de suprir supostas incidências de crimes”.

Sobre ocorrências na área, a PM explica que “verifica-se que, nos últimos três meses, foram registradas 19 ocorrências de menor gravidade no local (perturbação do sossego público; desinteligência e averiguação de suspeitos), a não ser dois flagrantes de tráfico de drogas onde foram presos quatro indivíduos e apreendidas e um indivíduo que estava foragido da Justiça”.

A Polícia Militar ainda solicita que os moradores ao verificarem alguma atitude suspeita, entrem em contato através do telefone 190 ou até mesmo o disque denúncia pelo telefone 181.

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