Umbandista fala sobre a sua religião na Tribuna Livre da Câmara Municipal

Foto – Reprodução

Na sessão ordinária da última terça-feira (18), o presidente e sacerdote da tenda de umbanda Caboclo Gira Mundo, Luiz Fernando Zonatti, conhecido como Fernando Vira, esteve presente fazendo uso da Tribuna Livre para falar sobre sua religião e destacar a importância do projeto de lei nº 58/2019, de autoria dos vereadores Rodrigo Macruz e Mané da Saúde.

A proposta estabelece a criação da medalha e diploma “Fiori Amantéa e Mícola Corazza”, que visa homenagear pessoas do meio espírita e umbandista da cidade. Os nomes escolhidos para a honraria são de duas pessoas muito ligadas a Itu e que possuem relevante atuação dentro dessas religiões.

Vira, que trabalhou com Dona Mícola, destacou especificamente a importância dela para a religião em Itu. “Numa cidade predominantemente católica, uma senhora de uma família também católica com uma condição financeira boa. Uma senhora branca onde, com a falta de entendimento, umbanda era uma religião exclusivamente de negros. Então branco não podia praticar. E mulher, ainda, no final da década de 1960, não tinha muito voz ativa. Então ela quebra tudo isso e monta seu terreiro”, explicou.

“Se ela não começasse lá atrás como outros – mas ela eu acredito que seja a pioneira –, eu não conseguiria estar presente aqui para falar para vocês sobre isso”. Vira também destacou os gestos de solidariedade, como arrecadações de roupas e mantimentos, promovidos por ela desde a década de 1960, quando iniciou na religião. “Muita gente foi ajudada por Dona Mícola Corazza”.

“Nada mais justo que esse reconhecimento para alguém que simplesmente quebrou com a sociedade e começa um trabalho que geraria muitos frutos no futuro”, declarou.

Macruz disse que a ideia da medalha partiu do vereador Mané da Saúde, após ele apresentar projeto que inclui o Dia da Umbanda no calendário municipal de eventos. “Nós representamos enquanto vereadores todas as coletividades”. Ele questionou a falta de uma honraria para os umbandistas e espíritas.

“É um reconhecimento não só pelo lado religioso, mas pelo lado social e humanitário que os dois tinham”, disse Mané. “Enquanto presidente, essa Casa vai continuar sendo laica para atender a todos, de quaisquer religiões, raça, etnia, classe social porque aqui nós somos a Casa do Povo”, afirmou Givanildo Soares no fim da Tribuna Livre.

Respeito

O umbandista também agradeceu aos vereadores pela oportunidade, destacando que deve ter sido “a primeira vez que dão voz à umbanda de forma relevante”. “Eu não represento a totalidade da umbanda, eu represento o meu terreiro, mas eu falo em nome talvez de muitos umbandistas, e nós agradecemos esse gesto”, explicou.

Vira ainda explicou que a umbanda é 100% brasileira, tendo começado no início do século passado no Rio de Janeiro. “Eu não quero impor; quero oferecer respeito e ser respeitado”, afirmou.

Ele deixou claro os preceitos da religião e disse que a “sujeira deixada nas esquinas” não representa a umbanda. “Um padre pedófilo não representa a religião católica”, explicou. “Uma religião só pode praticar o bem”.

Zonatti também comentou sobre a receptividade que encontrou no Parque do Varvito, onde são realizadas as festividades do Dia da Umbanda, e que jamais faria um evento na Praça da Matriz, em horário de missa. “Nós não queremos criar problema”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *