Vidas à Deriva

Vidas à Deriva

Por André Roedel

Filmes sobre catástrofes e acidentes no geral sempre trazem uma carga dramática que os destacam. E quando ele é dirigido por um cineasta que conhece bem esse “gênero”, o resultado é respeitável. É o caso de Vidas à Deriva, do diretor islandês Baltasar Kormákur, de Sobrevivente e Evereste. Mostrando a saga de um jovem casal de velejadores que sobrevive a uma terrível tempestade em pleno Oceano Pacífico, o longa-metragem tem algumas das sequências mais belas dos lançamentos deste ano.

Baseado em uma história real, Vidas à Deriva começa já com o desastre escancarado: a jovem Tami Oldham (ShaileneWoodley) em pleno alto-mar com sua embarcação parcialmente destruída. Indo e voltando no tempo, o filme passa a então mostrar como esta aventureira garota se apaixona pelo velejador Richard Sharp (Sam Claflin) em uma viagem ao Taiti. Habituados a papéis em filmes românticos, os protagonistas se dão muito bem nessa parte sem muito esforço.

Velejando rumo à Califórnia em um belo iate de um conhecido de Richard, o casal então se depara com um terrível furacão que revolta o mar e os deixa incomunicáveis em meio ao nada. Aí começa a história de superação, principalmente de Tami, que precisa cuidar do noivo que está com as costelas quebradas e a perna direita praticamente destruída. Superação também dos atores, que saem da zona de conforto e entregam atuações dignas.

Shailene, que vem protagonizando e produzindo ótimas obras, reforça sua qualidade e potencial, deixando de ser apenas uma promessa para se tornar uma realidade. Sua interpretação da valente Tami em meio a tantas adversidades comove o espectador, dosando o ritmo de emoção e a aventura em alto-mar. Claflin, com uma atuação menor mas não menos importante, demonstra também que tem arsenal cênico para mais que apenas comédias românticas.

O filme é um espetáculo visual, com efeitos que passam a sensação de que os atores filmaram mesmo tudo em pleno Pacífico. Algumas tomadas, principalmente a inicial com a câmera em movimento focando a personagem de Shailene desesperada dentro do barco logo após a tempestade e algumas dela surfando, são até poéticas – o que comprova a qualidade de Kormákur.

Como pontos negativos, destaco a montagem um tanto confusa e o roteiro de Aaron e Jordan Kandell, que toma um caminho que eu particularmente não achei interessante (e que não direi aqui para evitar spoiler, apesar da história ser baseada em fatos). No mais, Vidas à Deriva é um expoente moderno do cinema catástrofe e vale o ingresso. Mas um alerta: prepare-se para momentos de muita apreensão.

 

Nota:

 

 

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