Voluntários mantêm viva a Festa Italiana de Itu

Por Daniel Nápoli

Carlos Roberto Locatelli ao lado das voluntárias na cozinha Fotos: Daniel Nápoli/Divulgação

A necessidade de angariar fundos para o restauro da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária e o desejo de homenagear italianos e seus descendentes instalados na cidade de Itu. Com esses objetivos que nasceu a Festa Italiana, no ano de 2001, que inicia neste sábado (25), a sua 19ª edição. 

Na época, o pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Candelária, Monsenhor Durval, criou uma comissão formada por seis casais frequentadores da igreja para discutir soluções para arrecadar verba para a reforma do templo, que se encontrava precário em algumas partes.

“Foi então que surgiu a ideia. Na cidade temos muito imigrantes italianos e descendentes, por que não criar a festa italiana, assim como já existia em Jundiaí?”, explica Adilson Groblackner, participante da comissão ao lado de sua esposa, Rita de Cássia Benedetti Groblackner

Adilson e Rita de Cássia, voluntários desde o início da Festa Italiana

“Esse grupo se direcionou a Jundiaí, conversamos com os diretores, organizadores da festa e colocamos nossa proposta. O grupo de lá foi de uma generosidade, uma amabilidade muito grande. E abriram para nós todas as informações, inclusive resultado financeiro, como administravam o resultado, valores e fornecedores dos produtos. Voltamos de lá com toda essa estrutura para colocar em prática em Itu”, comenta Adilson.

No início, a festa que contava com 80 voluntários. Atualmente, são aproximadamente 700 colaboradores, que se dividem atuando na cozinha, em barracas de comidas e bebidas típicas, no almoxarifado e na organização do evento.

Tradicionalmente realizada em quatro dias (dois finais de semana), a festa conta com a presença de 40 mil pessoas – e, com o crescimento do público a cada ano, a produção e aquisição de produtos e ingredientes acompanha a demanda.

Ao todo, devem ser produzidos/adquiridos 1.200 Kg de molho de tomate, 900 kg de polenta, 1.200 Kg de nhoque, 400 kg de capeletti, 500 kg macarrão (tradicional), 800 kg de queijo e 500 dúzias de cerveja, refrigerante e água, entre outros. 

Com boa parte da igreja restaurada após arrecadação de dinheiro na festa e por meio de verba do BNDES, a festa segue como grande atração, reforçando a cada ano o voluntariado. Adilson, que após colaborar na parte administrativa da festa, há seis anos passou a atuar na barraca da pizza e do canelone, explica o sentido de seu trabalho.

Antônio Moreira, conhecido como Toninho, atua na festa com sua esposa e outros oito familiares

“Os casais que participaram da comissão (que idealizou a festa) foram batizados, crismados, fizeram 1ª comunhão, se casaram e alguns chegaram a batizar os próprios filhos dentro da Igreja Matriz. Ali dentro da alma de cada um de nós existia esse sentimentalismo de a gente precisar retribuir para esse templo maravilhoso um pouco daquilo que foi um acolhimento que todas as nossas famílias recebeu na formação espiritual dentro daquele mesmo templo”.

O voluntário acrescenta. “Então foi um ‘pagamento’ por tudo que recebemos. Evidentemente a parcela do pagamento foi muito menor do que aquilo que a gente recebeu como formação espiritual e religiosa, tanto nós quanto os nossos familiares. Quando a gente viu a restauração pronta, que teve uma missa em ação de graças, a gente sentiu ali o dever cumprido”.

Atuando como voluntário desde o início da Festa Italiana, Antonio Alves Moreira fala sobre o significado de integrar o evento. “Pra gente como voluntário é gratificante, porque enquanto a gente tiver saúde e disponibilidade de fazer, a gente tem que se engajar. A gente não está fazendo para o padre, para ninguém, é para Deus e Nossa Senhora. Em troca ela nos dá a graça de estarmos aqui trabalhando pela festa”.

O voluntário, conhecido como Toninho, atua na festa com sua esposa e outros oito familiares. “Convidamos também os amigos para trabalhar com a gente. Já coordenei muitas barracas, neste ano estarei ao lado do meu filho que irá coordenar a barraca do lanche”, orgulha-se o senhor, que em 2020 atua também no almoxarifado, auxiliando na organização da mercadoria que será utilizada para a festa”.

Rubens Natal Pereira é voluntário desde a primeira edição da festa

Há 17 anos participando da festa, Carlos Roberto Locatelli, que atua como voluntário na cozinha e também trabalha na barraca do nhoque, se emociona ao contar sua trajetória e falar sobre importância do voluntariado. “A gente faz tudo por amor, não tem parte financeira que pague isso. Tudo indulgência divina. A gente recebe muitas graças de Nossa Senhora e Jesus Cristo. Eu estou aqui já faz 17 anos e conto também com a minha esposa, filha e genro. É muito gratificante”.

Um dos organizadores do evento, Rubens Natal Pereira, que é voluntário desde a primeira edição da festa, comenta sobre seu trabalho. “A gente trabalha na organização, na montagem das equipes e, assim com a ajuda de alguns colaboradores, a gente faz acontecer. A gente se sente bem em poder ver a festa crescer”, conclui.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DA FESTA ITALIANA 2020:

25 de janeiro
20h – Tony Angeli e teclados

26 de janeiro
Hora do almoço – Ricardo Bombarda
20h – Ivano Italianíssimo e Banda

01 de fevereiro
20h – Showman Fred Rovella e Banda

02 de fevereiro
20h – Três Tenores do Brasil e Banda Via Roma

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