X-Men: Fênix Negra

A safra de boas adaptações de histórias em quadrinhos para os cinemas começou com o bom X-Men de 2000. De lá pra cá, as telonas foram invadidas por personagens coloridos e superpoderosos. A Fox foi responsável por abrir esse “portal” e agora, 19 anos depois, lança o capítulo derradeiro da saga mutante feita por suas próprias mãos – porque, com a compra pela Disney, os direitos dos X-Men voltaram para a Marvel Studios. E esse último filme da franquia é uma decepção só.

Dirigido por Simon Kinberg (bom roteirista que tem uma estreia ok na direção, mas peca em pontos fundamentais), X-Men: Fênix Negra não sabe o que quer propor. Não é épico como a história que o originou – em que Jean Grey é possuída por uma entidade cósmica, sucesso entre os fãs dos heróis – e nem se assemelha com os bons longas anteriores dessa nova fase da saga, iniciada com o excelente X-Men: Primeira Classe. É um filme dispensável, tal qual foi o X-Men 3: O Confronto Final, de 2006.

A produção passou por refilmagens e não dá para saber o quanto foi mudado por conta da negociação entre Fox e Disney. O certo é que nada funciona em suas quase duas horas de duração. A ameaça vivida por Jessica Chastain é genérica, as relações interpessoais são pessimamente resolvidas (quando são) e os personagens estão perdidos. O bom elenco, que conta com nomes como Michael Fassbender, James McAvoy e Jennifer Lawrence, não corresponde e entrega atuações “no automático”. Nem mesmo a nova safra de atores, como Sophie Turner (que interpreta Jean Grey) e Tye Sheridan, consegue dar conta da dramaticidade da história. Tudo fica parecendo que foi feito de forma abrupta, apressada e sem o esmero necessário.

A questão psicológica, tão necessária para uma história como “Fênix Negra” – repito, um grande clássico mundial das HQs –, precisava ser melhor explorada. No lugar disso, o filme dispensa um tempo precioso no “quadrilátero amoroso” entre Magneto, Charles Xavier, Fera e Mística. Força goela abaixo do espectador personagens que acompanhamos há quase 10 anos e até agora não simpatizamos com eles – diferente de tudo que a Marvel fez, tão bem, com a franquia dos Vingadores.

De bom no filme, apenas o interessante início com um quê de aventura espacial, uma ou outra sequência de ação (a luta no trem está bacana e dá espaço para que outros personagens demonstrem seus poderes, apesar da computação gráfica ruim) e algumas rimas visuais com o primeiro filme de 2000, que revolucionou um gênero. Este, coitado, não limparia as botas e jaquetas de couro daquele. Que triste fim para a história dos X-Men da Fox…

Nota: 2 estrelas

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