O que será dos museus pós-pandemia?

Itu é uma cidade-museu, como bem define especialistas na área – como o Dr. Emerson Castilho, diretor de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura, em sua dissertação de mestrado defendida em 2012. Mais do que isso, Itu é uma cidade que reúne diversos museus, como os tradicionais Museu Republicano e Museu da Energia, o mais recente FAMA Museu e, em breve, contará com uma extensão do Museu de Arte Sacra de São Paulo.

Na última terça-feira (18), foi celebrado o Dia Internacional dos Museus. A data foi criada em 1977, através da iniciativa do ICOM – Conselho Internacional de Museus, um organismo que integra a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Para celebrar, diversas atividades são realizadas pelas instituições – por conta da pandemia, de forma virtual.

Os museus são espaços importantíssimos para a formação cultural de uma cidade, de um Estado e de um país. De uma nação como um todo. Para Solange Ferraz Lima, professora e diretora do Museu Paulista da USP em um debate realizado em 2019, o Dia Internacional dos Museus não deve apenas ser celebrado, mas sim tratado como um “dia para pensar para que servem os museus e que funções eles cumprem na sociedade”.

Agora, em que o Brasil – e o mundo – vive um período pandêmico que mudou nossa forma de interagir com tudo e todos, um debate que deve ser colocado para a sociedade é o que será dos museus no pós-pandemia. E foi exatamente o que perguntamos para representantes de museus ituanos, obtendo três interessantes respostas. Confira:

Ana Sbrissa

Coordenadora do Museu da Energia de Itu

A pandemia é um acelerador do presente. Mudanças são constantes. Ainda não há uma resposta certa para essa pergunta. Há mais de um ano trabalhamos e vivemos um dia de cada vez no Museu. As questões são constantes e apenas os diálogos podem (re)construir os contextos. Acredito que o museu pós-pandemia será híbrido: o público poderá usufruí-lo presencialmente e virtualmente. Independentemente do formato permanecerá cumprindo sua função social junto à comunidade que deve ser inclusa e participativa neste processo de mudanças.  Concordo com o professor Mário Chagas quando diz que “O museu que não serve para a vida das pessoas, não serve para nada”.

Luís Roberto de Francisco

Curador do Museu da Música – Itu

Desde 2017 o Museu da Música – Itu se utiliza de linguagens digitais para conectar o seu acervo ao mundo. O patrimônio musical (imaterial) se materializa em apresentações. Se elas forem gravadas, então, há um novo e importante território de existência. Este é um caminho para o futuro, que estamos potencializando a cada dia. Mas, após a pandemia, é preciso reduzir o distanciamento social, o medo de perecer e o mergulho profundo que fizemos no universo online. É preciso retornar e retomar. Os museus estão aí para proporcionar conexões com o passado, com a identidade, e vínculos afetivos e de pertencimento com o lugar em que vivemos.

Karina Muniz Viana

Diretora de Operações da FAMA Museu

Primeiramente é importante contextualizar o Dia Internacional dos Museus. É uma data que vem a partir do ICOM, o Comitê Internacional de Museus, que é uma unidade que nasce na França e congrega todos os países em prol da museológia e do patrimônio cultural. Então é um marco referencial do ponto de vista internacional. E por que disso? Porque vem de um movimento onde o patrimônio cultural, em especial os museus, está passando por uma série de desmontes – ideológicos e políticos – e a chamada para um dia internacional é um momento de fortalecer a área. Isso de um contexto político. Consolida-se o dia internacional nesse intuito de fortalecimento dos museus no mundo todo. Falar de Dia Internacional dos Museus em períodos de pandemia também é falar da importância desses equipamentos culturais para a sociedade. O museu passa de um ambiente de transformação para um ambiente de diálogos e questionamentos de todas as vozes. Não só o momento pandêmico que estamos vivendo, mas também o momento de século XXI, o momento da era da informação – isso transformou toda uma sociedade na sua maneira de consumir, de pensar, de idealizar e de realizar. Isso coloca os museus no centro dessas discussões. Se museus até então eram um equipamento voltado para conservação, preservação, pesquisa e comunicação do testemunho da humanidade, hoje o museu tem um desafio muito maior: dialogar esta humanidade de forma múltipla e de forma dinâmica. Então o que colocamos como comemoração, se podemos dizer essa palavra, para o dia internacional de museus no ano de 2021, fica uma provocação. O que devem de fato os museus realizarem para transformar essa sociedade?