Espaço Acadil | Do universo infinito ao mundo finito
“Este que nasceu é o grande Rei, o novo patriarca, Cristo, de carne vestido! Ele nos redimiu ao se fazer criança. Aquele que era infinito, finito se fizera”.
Canta, assim, um dos versos do vilancico de Natal do renascimento espanhol, “Riu, riu, chiu”. Uma maravilhosa catequese, resumida em verso e música, que nos encaminha pelo Tempo do Natal. E durante doze dias, os quais compreendem as celebrações do Natal e da Epifania, abre-se, pela Encarnação e o Nascimento, o véu do Mistério de nossa salvação.
Por nossa causa desceu dos céus permanecendo verdadeiro Deus, tornando-se verdadeiro homem. Não hesitou em se revestir da forma de um humilde servo, semelhante aos homens. E reconhecido na exteriorização humana, sendo matéria, atrai o gênero humano a si e o faz seu Corpo místico, resgatando-o do pecado. Compartilha com sua criatura a plenitude da filiação divina, ofertando aos homens a sua vida que é a graça santificante. “Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus”.
Enquanto o Natal se ocupa do Menino Deus, da família e dos pastores que o contemplam, a segunda parte deste tempo é a Epifania que descortina novos horizontes com a visita dos “Reis magos”. Este Menino é o grande Soberano que vem à terra fundar o seu reino na alma humana. Os sábios e os cientistas vêm adorar a “criancinha” em seu presépio e, neste ato, a humanidade lhe reconhece a realeza e a divindade supremas – mirra, ouro, incenso. Este Menino dominará as nações, pois no fim dos tempos reunirá os seus fiéis em um reino celestial, o Reino de Deus onde “escorre leite e mel”, o reino da eterna bem-aventurança.
E o salmista: Eis que vem o soberano Senhor e em suas mãos estão o Reino, o Poder e o Império. Muitos virão de Sabá, trazendo ouro e incenso, e proclamando os louvores do Senhor; pois, viram a sua estrela no Oriente, e vieram com presentes para adorá-lo. Os reis de Tarsis e das ilhas oferecer-lhe-ão presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas dádivas. Adorá-lo-ão todos os governantes da terra e os povos todos o aclamarão.
A Igreja intensifica os sentimentos pelo acontecimento da Encarnação, há dois mil anos, ao renovar as celebrações do “aniversário” de Jesus. Ele que ocultou o esplendor de sua divindade sob o manto de sua humanidade, pois “muitas profecias o profetizaram e em nossos dias ainda o entendemos, o Deus humanizado que vemos na terra e o homem no céu porque Ele o quisera”.
O novo presépio é a nossa alma! Nela, bem longe do tumulto do mundo, Ele quer, no silêncio e na solidão, tomar nova forma, quer ocupá-la, imprimir-lhe o selo de filha de Deus, transformá-la em Si próprio. A esta alma Deus predestinou “conformar-se com a imagem do Filho de Deus”.
E “eu vi muitos anjos cantando, fazendo mil vozes por aqui voando, contando aos pastores sobre a glória nos céus e a paz no mundo porque Jesus nasceu”.
Em tempo, Feliz Natal e Feliz Ano Novo!
Evandro Antonio Correia
Cadeira nº 34 I Patrono Ezechias Galvão da Fontoura

