Pós-Carnaval exige recuperação consciente, não sucos detox, explica especialista
Após dias marcados por consumo elevado de álcool, frituras, açúcar e poucas horas de sono, é comum surgirem sintomas como inchaço, retenção de líquidos, alterações intestinais e cansaço. Nesse contexto, o organismo pode entrar em um estado inflamatório leve e transitório, além de apresentar oscilações da glicemia, sobrecarga hepática temporária e até queda da imunidade.
Segundo a professora Keyth Sulamitta, nutricionista e docente do curso de Nutrição do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), o álcool é um dos principais responsáveis por esse desequilíbrio. “Ele sobrecarrega o fígado, intensifica a desidratação e compromete a qualidade do sono, fatores que dificultam a recuperação do organismo.”
Apesar da popularização das chamadas dietas detox, o corpo já conta com um sistema próprio e eficiente de desintoxicação. Fígado, rins, intestino e pulmões atuam de forma integrada quando estão funcionando adequadamente, tornando desnecessárias medidas radicais para “limpar” o organismo.
A recuperação, explica a especialista, não exige protocolos extremos, mas o resgate de hábitos básicos. “O corpo precisa de hidratação adequada, nutrientes de qualidade, sono regulado e evitar novos exageros. É isso que permite que ele volte ao equilíbrio de forma natural.”
Tentativas de “compensação”, como jejuns prolongados, corte total de carboidratos, dietas restritas à base de sucos, uso de laxantes ou treinos excessivos, podem gerar efeito rebote, perda de massa muscular, queda de glicemia e maior desregulação metabólica.
A orientação é reorganizar a alimentação com foco em hidratação e nutrientes que apoiem o funcionamento do fígado e do intestino, além de priorizar o sono. Atividade física leve, exposição ao sol pela manhã e redução do consumo de álcool nos dias seguintes também contribuem para acelerar a recuperação. Em geral, os primeiros sinais de melhora aparecem entre 48 e 72 horas e, em até duas semanas, o organismo tende a estar praticamente reequilibrado.
“A chave não está em punir o corpo, mas em oferecer as condições para que ele retome seu funcionamento natural”, conclui.

