Saiba quais as principais mudanças no Imposto de Renda 2026

Gabriel Campregher é empresário contábil e Diretor Regional do SESCON/SP (Foto: Divulgação)

O governo federal anunciou mudanças nas regras do Imposto de Renda para 2026, com ajustes na faixa de isenção, atualização da tabela e alterações nas deduções. As medidas, que ainda dependem de regulamentação, devem impactar diretamente milhões de contribuintes e prometem alterar o cálculo do tributo já nas próximas declarações. O Periscópio, conforme faz anualmente, traz a palavra do empresário contábil e diretor do Regional do SESCON/SP, Gabriel Campregher, que deixa as devidas orientações.

Com relação às principais mudanças, Gabriel diz que “o Imposto de Renda 2026 não trouxe grandes mudanças nas regras, mas trouxe algo ainda mais importante: a Receita Federal está cada vez mais digital, automática e integrada. Na prática, isso significa que o governo já tem muitas das suas informações antes mesmo de você declarar. Hoje, dados de bancos, empresas, planos de saúde e até movimentações financeiras chegam automaticamente para a Receita.”

Ele destaca que “uma das novidades é que a declaração pré-preenchida está ainda mais completa, ou seja, o contribuinte precisa cada vez mais apenas conferir as informações, e não preencher tudo do zero. Outra mudança importante é o início de um projeto de restituição automática. Em alguns casos, a própria Receita pode identificar que a pessoa tem valor a receber e fazer o pagamento via PIX, mesmo sem a entrega da declaração.

Segundo ele, “também houve ajuste no calendário de restituições: agora são menos lotes e a ideia é que a maior parte das devoluções aconteça mais cedo. Além disso, algumas novidades chamam atenção, como a obrigatoriedade de declarar valores relacionados a apostas esportivas, que passaram a ter controle mais específico.

Em relação à obrigatoriedade de entrega, continuam valendo regras parecidas com as dos últimos anos, “com atualização de valores de renda, patrimônio e outras situações específicas. Ou seja, a regra não mudou tanto, mas o controle da Receita ficou muito mais eficiente.”

Para que as pessoas façam a declaração há necessidade de se ter alguns cuidados: “o principal cuidado hoje é a conferência das informações. No caso da pré-preenchida, por exemplo, o contribuinte pode achar que está tudo certo, mas qualquer erro continua sendo de responsabilidade de quem declara. É importante reunir todos os documentos, como informes de rendimentos, despesas médicas e comprovantes de pagamento.

O contador ressalta que “outro ponto essencial é a coerência entre renda e patrimônio. Se a pessoa aumenta seus bens, como compra de imóveis ou veículos, isso precisa ser compatível com o que foi declarado como renda. Hoje, a Receita Federal cruza informações de diversas fontes. Gastos com cartão de crédito, plano de saúde e movimentações bancárias podem ser comparados com a declaração. Qualquer diferença pode levar a problemas com o Fisco.

Conforme o Periscópio alerta anualmente, é muito importante que as pessoas procurem profissionais especializados – contadores e/ou escritórios contábeis – para uma correta declaração. “Apesar de ser possível fazer a declaração sozinho – diz Campregher –,  a realidade é que o sistema ficou mais complexo e mais rigoroso.

Com tantas informações sendo cruzadas automaticamente, erros simples são identificados com muito mais facilidade. O profissional contábil tem experiência para evitar esses problemas, além de garantir que tudo seja feito corretamente e dentro da lei.

Na prática, muitos casos de malha fina acontecem por erros comuns, como informar despesas indevidas ou incluir dependentes de forma incorreta. “por isso, contar com um contador não é apenas uma facilidade, mas uma forma de trazer mais segurança e tranquilidade no processo”, completa.

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