Escala 6×1 ou 5×2? Assunto divide opiniões

Luciano Ribeiro é presidente do Secom – Sindicato dos Comerciários de Itu e Região e diretor no Fecomerciários (Foto: Divulgação)

Ainda não aprovada, a proposta de fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) segue em debate no Brasil. O tema ganhou força este ano após o governo federal encaminhar ao Congresso um projeto que prevê a redução da jornada semanal de 44 para cerca de 40 horas, com adoção do modelo 5×2 – dois dias de folga – sem redução salarial.

A medida, no entanto, depende de análise e votação dos parlamentares. Atualmente, a discussão ocorre em duas frentes: por meio de um projeto de lei, que tem tramitação mais rápida, e também por propostas de emenda à Constituição (PEC), que exigem um processo mais longo. Parte dos deputados defende ampliar o debate e incluir o tema em uma reforma trabalhista mais ampla, o que pode atrasar a decisão.

A possível mudança divide opiniões. De um lado, governo e sindicatos argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e até gerar novos empregos. De outro, representantes do setor empresarial demonstram preocupação com o aumento de custos e impactos na operação de empresas.

Sem definição até o momento, o fim da escala 6×1 segue como uma das principais pautas trabalhistas em discussão no país, com possibilidade de avanço ainda em 2026, dependendo do ritmo das negociações no Congresso Nacional.

A reportagem do Periscópio manteve contato com Luciano Ribeiro, presidente do Secom (Sindicato dos Comerciários de Itu e Região), que deixou sua opinião sobre a situação, do ponto de vista do trabalhador.

Para Luciano, “nos últimos meses, ganhou força no Brasil a ideia de que só seria possível reduzir a jornada de trabalho após aumentar a produtividade. Embora pareça lógica, essa visão simplifica um problema mais complexo”.

“A produtividade não depende apenas do esforço do trabalhador, mas de fatores como tecnologia, investimento, organização e qualificação. Países com alta produtividade, como Alemanha, Holanda e Noruega, têm jornadas menores, mostrando que trabalhar mais horas não significa produzir mais e que o excesso pode, inclusive, reduzir a eficiência”.

Luciano entende que “jornadas longas aumentam o desgaste, os erros, os acidentes e os afastamentos, prejudicando o desempenho. No Brasil, especialmente no comércio, o cenário é agravado por baixos salários, poucos benefícios e condições pouco atrativas, o que já gera dificuldade de contratação”.

“Diante disso [destaca o presidente], algumas empresas adotam soluções pontuais para atrair trabalhadores, sem resolver o problema estrutural. O resultado é uma disputa por mão de obra, sem avanços reais nas condições de trabalho”.

“Assim, usar a produtividade como argumento para barrar o debate sobre a redução da jornada ignora que melhores condições de trabalho também contribuem para aumentar a eficiência. O desafio é equilibrar produtividade, desenvolvimento econômico e qualidade de vida”, completa Luciano Ribeiro.

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