Cinerama | Para Sempre Medo: falha como filme de terror

Keeper, Terror, 2025 | Direção: Oz Perkins | Classificação indicativa: 16 anos | Duração: 1h39 | Disponível no Prime Video
NOTA: ✪✪
Em uma época em que o terror parece disputar quem cria a metáfora mais elaborada para traumas e relações tóxicas, “Para Sempre Medo” surge como um daqueles filmes que confundem atmosfera lenta com profundidade narrativa. Dirigido por Oz Perkins, cineasta que costuma apostar em experiências psicológicas mais contemplativas, o longa até tenta construir uma sensação constante de desconforto, mas tropeça justamente no elemento mais básico do gênero: prender a atenção do público.
O primeiro ato é um verdadeiro teste de paciência. A trama acompanha Liz (Tatiana Maslany) e Malcolm (Rossif Sutherland) durante uma viagem que deveria celebrar o relacionamento do casal, mas rapidamente se transforma em um mergulho em paranoia e isolamento. O problema é que o roteiro demora demais para chegar a qualquer lugar. Há longos minutos em que nada relevante acontece, enquanto diálogos pouco inspirados e cenas excessivamente arrastadas tentam criar tensão sem oferecer material suficiente para sustentá-la.
Quando finalmente abraça sua faceta sobrenatural, “Para Sempre Medo” também não consegue encontrar identidade própria. A sensação é de assistir a um grande compilado de referências de outros terrores psicológicos recentes. O longa até ensaia discutir confiança, abandono e deterioração emocional, mas tudo soa superficial demais para gerar impacto.
Talvez o maior pecado seja justamente falhar como filme de terror. Não há medo genuíno, nem cenas realmente tensas ou sustos memoráveis. Oz Perkins claramente prefere trabalhar a sugestão ao invés do choque direto, o que não é um problema por si só, mas exige um roteiro muito mais sólido e uma construção dramática mais envolvente do que o filme entrega.
Quem salva parte da produção é Tatiana Maslany. A atriz entrega uma atuação comprometida e consegue transmitir fragilidade, desespero e confusão emocional mesmo quando o roteiro pouco colabora. Existe um esforço evidente em tornar Liz uma personagem mais complexa do que está escrito na tela, e Maslany consegue carregar boa parte do filme sozinha. Sem ela, o longa provavelmente seria ainda mais esquecível.“Para Sempre Medo” tenta ser perturbador, mas termina apenas vazio, repetitivo e excessivamente lento.

