Gaeco denuncia três policiais civis, PM e advogado de Itu pelo crime de extorsão

Três policiais civis foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Sorocaba por suspeita de práticas de extorsão, abuso de autoridade e associação criminosa. Os supostos casos teriam ocorrido após a abordagem de um casal de namorados que estava em um carro de luxo com uma pequena porção de droga. Os policiais teriam cobrado R$ 250 mil pela liberdade da mulher. O caso também envolve um policial militar.
A denúncia foi apresentada à Justiça em maio deste ano e o caso tramita em sigilo em Indaiatuba, já que juízes de Itu apresentaram pedido de suspeição. No meio jurídico, “suspeição” é o instituto que permite afastar um juiz ou outro agente público de um processo quando há indícios de parcialidade. O caso foi divulgado pelo portal g1 na quarta-feira (23).
O advogado Anderson Antônio Caetano também foi denunciado pelos crimes de extorsão e associação criminosa. Segundo denúncia, ele teria se aliado aos policiais civis Cirineu Yasuda Alves de Lima, Francisco Diogo Neto e Cristian Antunes de Calvilho e teria usado o computador da própria Delegacia Central de Itu para redigir um contrato fictício de honorários, com o objetivo de mascarar o que seria o valor da propina.
O caso
Um casal de namorados que estava em um veículo de luxo foi abordado pela Polícia Militar, e em seu interior foi encontrada uma pequena porção de haxixe, que teria sido assumida como sendo do motorista.
Foi a partir deste momento, de acordo com a denúncia do Gaeco, que os supostos crimes teriam iniciado. Primeiro, os policiais teriam prendido e algemado a mulher, sem que ela tivesse praticado qualquer ato ilegal.
Na sequência, eles teriam se dirigido até a casa dela, sem ordem judicial, e apreendido de forma clandestina o veículo da mulher. Além disso, os agentes também teriam se deslocado ao imóvel dois pais do motorista anteriormente abordado, onde foram encontradas mais drogas.
Ainda de acordo com o Gaeco, após todos estarem na Delegacia, teria começado a extorsão, quando os policiais civis passaram a cobrar R$ 250 mil pela liberdade da mulher e também pela liberação dos veículos.
Foi neste momento que teria entrado em cena o advogado Dr. Anderson Antônio Caetano. Na Delegacia, a pedido dos policiais, ele teria usado um computador funcional do próprio local para redigir um contrato fictício de honorários advocatícios no valor de R$ 250 mil, dos quais R$ 50 mil deveriam ser pagos de imediato via PIX.
Também segundo o Gaeco, o pagamento só não se confirmou porque um policial civil de outra comarca, noivo da advogada legítima da família, percebeu que algo errado estava ocorrendo. Ele acionou outros policiais, e sua ação forçou os investigados a formalizarem apenas o flagrante do motorista pela droga e a liberação da namorada.
Defesas
Em nota ao JP, Dr. Lucas Del Campo, advogado do policial civil Cirineu Yasuda Alves de Lima, informou que o processo tramita em segredo de Justiça, o que limita, neste primeiro momento, a divulgação de informações sobre o caso. Contudo, afirmou que seu cliente comprovará sua inocência ao longo da instrução processual, ocasião em que o contraditório e a ampla defesa deverão ser assegurados, diferentemente do que, segundo a defesa, ocorreu na investigação preliminar conduzida pelo Gaeco, classificando como inconsistente.
Dr. Nilson Almeida, defensor do advogado Dr. Anderson Antônio Caetano, reforça ao JP, que o processo encontra-se protegido pelo manto do segredo de justiça, tendo a declarar que “a denúncia ofertada é totalmente fantasiosa e caluniosa, fundamentada numa manipulação severa de provas inexistentes, onde o exercício do direito da ampla defesa e do contraditório comprovará que meu cliente é inocente, e está tendo sua moral violada injustamente”.
A reportagem também tentou contato com o advogado de defesa dos policiais civis Cristian Antunes de Calvilho e Francisco Diogo Neto, porém não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O Periscópio também tentou contato com a defesa do policial militar, que não teve seu nome divulgado, porém não obteve retorno.
Ao portal g1, a defesa de Cristian Antunes de Calvilho disse que ele se “declara inocente e irá demonstrar em juízo a verdade dos fatos”. A defesa de Francisco Diogo Neto também se pronunciou informando que “nosso cliente foi formalmente cientificado do processo. No momento, aguardamos o acesso integral aos autos e estamos certos de que sua inocência será devidamente demonstrada no decorrer da instrução processual”.
Posicionamento
Por meio de nota ao JP, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que apoia integralmente as investigações conduzidas pelo Ministério Público e mantém atuação permanente de cooperação com o Gaeco no enfrentamento às organizações criminosas, acrescentando que a Polícia Civil e a Polícia Militar também atuam, por meio de suas Corregedorias, em conjunto com os órgãos de controle externo para assegurar a apuração rigorosa de eventuais irregularidades.
“No caso citado, a Corregedoria da Polícia Civil instaurou, em 2025, inquérito policial e procedimento correcional para apurar os fatos. As investigações foram encaminhadas ao Poder Judiciário, e o Ministério Público promoveu o arquivamento do inquérito, decisão acolhida pela Justiça. Após tomar conhecimento da investigação conduzida pelo Gaeco de Sorocaba, a Corregedoria realizou diligências junto ao Ministério Público para o compartilhamento de informações visando a adoção das medidas cabíveis”, declara.
“A SSP não admite qualquer desvio de conduta por parte de seus agentes. Todas as denúncias ou indícios de irregularidades são apurados com rigor e, caso haja comprovação de ilícitos, os responsáveis são responsabilizados nas esferas administrativa e criminal, na forma da lei”, complementa.

