Motoboys de Itu se mobilizam por melhorias no atendimento em lanchonete

Grupo se reuniu em frente à estabelecimento na noite do último domingo (Foto: Divulgação/Imagem modificada com uso de IA)

No último domingo (09), motoboys de Itu se uniram para uma manifestação, em frente a uma lanchonete fast-food localizada na Avenida Dr. Otaviano Pereira Mendes, em Itu. O grupo reivindica melhorias no atendimento aos profissionais que trabalham com entregas por aplicativos e afirma que o principal objetivo, neste momento, não é discutir taxas, mas garantir mais agilidade na liberação dos pedidos.

À frente da mobilização está o motoboy João Victor Zunarelli da Silva. Segundo ele, os profissionais têm enfrentado longos períodos de espera para conseguir retirar pedidos no estabelecimento da rede Burger King, especialmente durante promoções realizadas por plataformas de delivery. “Você ficava lá em torno de uma hora até duas horas para coletar um pedido de R$ 7,50. Ou seja, você saía de casa para fazer dinheiro e perdia a maior parte do seu tempo dentro de um estabelecimento”, relata.

De acordo com João Victor, a situação se agravou durante períodos de alta demanda provocados por promoções. Em determinado momento, segundo ele, a tela de pedidos do estabelecimento chegou a registrar 83 solicitações simultâneas, além dos clientes presentes no local e do movimento do drive-thru.

A consequência, afirma, foi a concentração de dezenas de entregadores aguardando para retirar pedidos. “Eles não estavam dando conta de tanto pedido. E estava aquele monte de motoboy lá dentro”, conta. O grupo decidiu então iniciar uma mobilização para chamar a atenção para o problema. A reivindicação é para que os pedidos destinados aos entregadores estejam prontos ou tenham um prazo de retirada compatível com a atividade profissional.

Segundo João Victor, a mobilização começou pelo Burger King porque o estabelecimento seria, atualmente, o ponto onde os motoboys enfrentam as maiores esperas. Ele ressalta, porém, que a reivindicação não se restringe à rede e que outros estabelecimentos também apresentam demora, embora em menor proporção.

Uma nova manifestação está prevista para ocorrer no mesmo local, a partir das 18h desta sexta-feira (14). João Victor reforçou à reportagem do JP que a mobilização seria pacífica e com o objetivo de reunir os profissionais para discutir as dificuldades enfrentadas no trabalho e buscar soluções. O grupo também pretende estimular a união entre os motoboys da cidade.

Nos últimos finais de semana, segundo João Victor, houve adesão dos entregadores à iniciativa e as plataformas digitais de pedidos do estabelecimento chegaram a ser desligadas. A estratégia, conforme ele, foi adotada justamente nos períodos de maior movimento, quando as promoções aumentam consideravelmente o número de pedidos.

A intenção é manter a mobilização aos finais de semana enquanto o problema não for solucionado.“Não vamos proibir ninguém, porque é uma manifestação pacífica. É tentar convencer a pessoa de que não dá para ficar lá dentro esperando uma hora e meia, duas horas para coletar um pedido que você vai entregar por R$ 7,50”, afirma o motoboy.

Ainda segundo o representante dos motoboys, após vídeos sobre a mobilização serem divulgados por canais de notícias e nas redes sociais, clientes também passaram a relatar problemas relacionados ao atendimento e ao tempo de espera no estabelecimento.

João Victor afirma que o movimento busca melhorar não apenas as condições de trabalho dos entregadores, mas também a experiência dos consumidores. “Alguns clientes começaram a relatar que tiveram problema também: demora, falta de educação, o drive absurdo, tempo de espera absurdo”, diz.

A reportagem do Periscópio questionou o Burger King, que por meio de nota informa que houve um aumento acima da média nas demandas de delivery ao longo do último final de semana, o que pode ter impactado os prazos de entrega de determinados pedidos. “Dessa forma, nossas equipes já estão mobilizadas para otimizar o atendimento nos próximos dias e reduzir a possibilidade de atrasos”, encerra.

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