Golpe Explosivo: ideia boa, produção genérica

Fuze, Thriller/Ação, 2026 | Direção: David Mackenzie | Classificação indicativa: 14 anos | Duração: 1h37 | Disponível no Prime Video
NOTA: ✪✪
O cinema de ação vive uma fase bem ruim nos últimos tempos. Com a decadência dos grandes nomes como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e tantos outros que marcaram o gênero nos anos 1980 e 1990, o gênero amarga produções genéricas e bem abaixo da crítica.
Em “Golpe Explosivo”, que estreou esse ano nos cinemas e já está disponível via streaming, não é diferente. A trama acompanha um grupo de assaltantes ousados que aproveita o caos generalizado quando uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial é desenterrada de uma planta de construção civil em Londres.
Com isso, uma intensa operação policial é colocada em ação para evacuar milhares de residentes do centro da capital inglesa. Enquanto um grande transtorno é criado na cidade, um grupo de criminosos especialistas, liderados por Karalis (Theo James), se esconde em um prédio da zona de evacuação.
Com os sistemas de emergência levados ao limite e a iminência de uma explosão, os ladrões dão início a um plano para roubar joias e dinheiro de um banco sob a distração do time de militares comandados por Will (Aaron Taylor-Johnson), mandado para o centro da confusão para investigar e desarmar a bomba.
A premissa é interessante, mas a direção não sabe trabalhar muito bem com ela. David Mackenzie, que fez o ótimo “A Qualquer Custo” em 2016 (indicado ao Oscar de Melhor Filme), fica preso à dinâmica dos filmes feitos diretamente para streaming, que é de “jogar” ação na tela a todo instante, sem muitas pausas. Com isso, o desenvolvimento dos personagens fica em segundo plano.
Aliás, em “Golpe Explosivo” simplesmente não há desenvolvimento de personagens. O protagonista vivido por Aaron Taylor-Johnson é o único que tem algumas camadas a mais adicionadas. Entretanto, nada que seja o suficiente para fazer o espectador se importar com ele. O resultado é um filme repleto de bons atores, mas que simplesmente entram e saem de cena sem grande relevância – Sam Worthington, em especial, está completamente apagado.
Há momentos bons de perseguição e algumas tomadas interessantes, que empolgam e aproximam o filme das boas obras do gênero. Só que são apenas lampejos, porque no geral o filme só se preocupa em entregar a expectativa de algo maior, sem de fato alcançar. É a prova de que uma boa ideia quando não é bem conduzida não adianta de nada.
