Setembro Amarelo: atenção à saúde mental também deve alcançar a terceira idade

A campanha Setembro Amarelo, dedicada à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, também chama a atenção para um grupo que muitas vezes pode ter seu sofrimento emocional negligenciado: as pessoas idosas. 

Lidyane Santos é professora do curso de Psicologia do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Foto: Divulgação)

Para a professora Lidyane Santos, do curso de Psicologia do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), o cuidado com a saúde mental não deve ficar restrito ao mês de setembro. Psicóloga clínica, mestre em Saúde Coletiva e doutoranda na área, ela explica que a temática é trabalhada continuamente pelo curso, por meio das disciplinas, estágios, ações de orientação e atendimentos realizados pelo Serviço-Escola de Psicologia.

Quando o assunto é a população idosa, o cuidado precisa levar em consideração diversos aspectos da vida de cada pessoa. Segundo Lidyane, é necessário observar a história de vida, as condições de saúde, a autonomia, os vínculos familiares e sociais, a rotina e eventuais alterações cognitivas.

Um dos principais desafios, conforme a professora, é reconhecer quando determinadas mudanças representam um problema de saúde mental. Sintomas de depressão e outros transtornos podem acabar sendo confundidos com características consideradas “normais” do envelhecimento. “Depressão não é uma consequência natural do envelhecimento”, destaca a especialista.

Entre os fatores que podem contribuir para o surgimento de depressão ou de outras questões relacionadas à saúde mental estão o luto, a solidão, o isolamento social, a aposentadoria, a redução da renda, a perda de papéis sociais, doenças crônicas, dores persistentes e limitações físicas. Também podem pesar a perda de autonomia, alterações cognitivas, conflitos familiares, situações de violência ou negligência e um histórico anterior de transtornos mentais.

A ausência de uma rede de apoio também pode aumentar a vulnerabilidade emocional. Por isso, mais do que observar eventuais problemas de saúde física, é importante que familiares e pessoas próximas estejam atentos às mudanças de comportamento.

Tristeza persistente, irritabilidade, isolamento e perda de interesse por atividades que anteriormente proporcionavam prazer estão entre os sinais que devem ser observados. Alterações no sono ou no apetite, cansaço excessivo, descuido com a higiene pessoal e com a própria saúde, dificuldades de concentração, piora da memória, sentimentos de inutilidade e desesperança também podem indicar a necessidade de buscar ajuda profissional.

O abandono de tratamentos e medicamentos é outro comportamento que merece atenção. Algumas manifestações, porém, exigem uma resposta ainda mais rápida. Frases como “sou um peso”, “não faço falta” ou “não quero mais viver” não devem ser ignoradas ou tratadas como simples desabafo. Despedidas ou a distribuição de pertences também são sinais que precisam ser levados a sério. Nessas situações, a orientação é que a pessoa idosa não permaneça sozinha e seja encaminhada para atendimento de urgência.

Incentivar a convivência social, fortalecer os vínculos familiares e comunitários e acompanhar o idoso na busca por atendimento profissional também são medidas importantes. “O cuidado deve ser compartilhado entre os familiares”, orienta a especialista.

Dependendo de cada caso, podem ser indicados recursos como psicoterapia, acompanhamento médico, avaliação neuropsicológica, atividades em grupo ou encaminhamentos para outros profissionais e serviços da rede de saúde.

A prevenção, entretanto, pode começar antes do aparecimento de sintomas mais graves. A manutenção de uma rotina, a prática de atividades físicas adequadas às condições de saúde, a participação em atividades sociais e culturais, o cuidado com alimentação e sono, o acompanhamento das doenças crônicas e a estimulação cognitiva são algumas das estratégias que podem contribuir para o bem-estar.

Atendimento

O Serviço-Escola de Psicologia – SAPSI Itu e Salto, do Ceunsp, recebe pessoas idosas mediante acolhimento, triagem e disponibilidade do serviço. Em Itu, informações e agendamentos podem ser obtidos pelo telefone (11) 4013-9812. Em Salto, o contato é (11) 97706-3183.

O serviço também conta com o Plantão Psicológico, destinado ao acolhimento e à escuta de pessoas que apresentam demandas que necessitam de atenção mais imediata. Às terças-feiras, das 12h às 15h e às 18h; quintas-feiras, das 16h às 20h e sextas-feiras, a partir das 8h sem um horário definido para término.

O plantão é um atendimento pontual e não substitui necessariamente um processo de psicoterapia contínua. Quando necessário, a pessoa atendida recebe orientação sobre os encaminhamentos mais adequados.