Unabomber: ótima pedida para os fãs de true crime

Suspense, 2026 | Direção: Janus Metz Pedersen | Classificação indicativa: 14 anos | Duração: 1h37 | Disponível na Netflix
NOTA: ✪✪✪
Faz tempo que a Netflix não lança um filme que me chame a atenção de fato. Recentemente, estreou “O Homem que Sussurra”, com Robert De Niro, mas as críticas negativas me afastaram. Agora, procurando algo para ver no streaming, me deparei com “Unabomber”, com um bom elenco e uma premissa interessante, e resolvi arriscar. E não é que a produção é boa?
Já conhecia a história do infame criminoso estadunidense que enviava bombas pelo correio pela ótima série “Manhunt”, mas foi legal revê-la nesta nova obra. O filme narra a trajetória do personagem real, passando de sua vida como prodígio matemático formado em Harvard até se tornar o famoso terrorista que ganhou os holofotes de todos os jornais com seus ataques violentos.
O passado conturbado de Ted Kaczynski (Jacob Tremblay) é revelado enquanto o criminoso é caçado pela agente do FBI Joanne Miller (Shailene Woodley), demonstrando as consequências amedrontadoras do isolamento e da ambição. Essa dinâmica, em que a narrativa alterna entre passado e presente, é muito bem construída e ajuda o espectador a entender as motivações de Ted — entender, não aceitar.
A caçada a ele se passa nos anos 1990, com a equipe do FBI investigando sua identidade após a publicação de seu manifesto em jornais de grande circulação. Confesso que essa é a parte menos atrativa do filme, apesar de bem realizada. O ponto central de “Unabomber”, para mim, é a jornada do jovem Ted, muito bem interpretado pelo ex-talento mirim Jacob Tremblay.
O jovem ator consegue imprimir toda a angústia e o tormento vividos pelo protagonista, o que iria desembocar em uma série de ressentimentos que culminaram nos atentados. A forma como Tremblay vai da passividade à agressividade em questão de segundos resulta em cenas muito boas ao lado de Russell Crowe, que vive o professor Henry Murray.
Apesar disso, o filme peca por não ir mais além e apresentar melhor a vida de Ted, especialmente após sair da faculdade. Havia muito mais a ser explorado, e o recorte apresentado em tela acabou sendo insuficiente. Para preencher essas lacunas, nos créditos finais são exibidas algumas informações e fotos reais do criminoso, que acabou cometendo suicídio em 2023, na cadeia.
Para quem gosta de true crime e suspenses instigantes, “Unabomber” é uma ótima pedida, mesmo ficando aquela sensação de que poderia ir além.

