Artigo | Excesso de informação também atrapalha o trabalho

Por Fabiana Bertotti*

No ambiente corporativo, problemas de comunicação não ficam restritos à forma como uma mensagem é transmitida. O artigo “Chegou a hora de simplificar a forma como nos comunicamos no trabalho”, publicado pela Harvard Business Review, aponta que hábitos de comunicação desalinhados podem contribuir para prazos perdidos, frustração entre colegas e perda de produtividade. O cenário ajuda a dimensionar uma questão recorrente: quando não está claro o que precisa ser dito, para quem e com qual finalidade, o ruído pode chegar à operação.

O impacto também aparece no tempo e na energia gastos para corrigir aquilo que poderia ter sido compreendido desde o início. Uma tarefa mal interpretada pode exigir nova orientação ou até a revisão de um processo. Quando essas falhas se repetem, pequenos desperdícios se acumulam e passam a produzir consequências maiores para o trabalho.

A dificuldade pode ser ainda mais evidente entre profissionais que dominam tecnicamente suas áreas. O especialista conhece conceitos e exceções que nem sempre fazem parte do repertório de quem o escuta. Colocar todo esse conhecimento em uma única explicação pode dificultar a compreensão. Precisão, nesse contexto, não significa excesso de detalhes. Saber o que deixar de fora também faz parte da capacidade de transmitir uma ideia.

A forma como uma pessoa se expressa também interfere na percepção sobre seu trabalho. Organização, escolha de palavras, ritmo, capacidade de síntese e adequação ao contexto ajudam a construir a imagem profissional. Dois profissionais podem apresentar conhecimentos semelhantes, mas proporcionar experiências diferentes quando um deles estrutura melhor o raciocínio e adapta a explicação ao interlocutor.

Essa preparação começa antes da conversa. Três perguntas ajudam a organizar o que será dito: o que essa pessoa precisa saber, o que precisa entender e o que precisa fazer depois? As respostas mudam conforme o público. Uma diretoria pode precisar de síntese e impacto financeiro, enquanto uma equipe demanda contexto, orientação e critérios de execução.

Em situações de divergência, o cuidado precisa ser ainda maior. Diminuir a velocidade da reação, separar fato, interpretação e impacto e apresentar expectativas concretas ajudam a evitar que uma questão específica se transforme em julgamento pessoal. É possível discordar sem comprometer a relação profissional.

Na prática, quatro mudanças ajudam a tornar as conversas mais objetivas:

  • Não faça o interlocutor atravessar vários minutos de contexto para descobrir a ideia central;
  • Quando tudo parece importante, fica difícil identificar o que realmente merece atenção;
  • Eles ajudam a substituir abstrações e reduzem interpretações diferentes;
  • Ao terminar uma conversa importante, deixe claro quem faz o quê, até quando e qual será o critério de conclusão.

Esses são alguns dos pontos que estarão no encontro “O Poder da Narrativa”, em 18 de outubro, no Espaço Bandeiras, em Votorantim, região de Sorocaba. A proposta será aprofundar justamente a relação entre clareza, narrativa, percepção e comunicação no ambiente profissional.

*Maior especialista em oratória do Brasil, é referência na capacitação de líderes e profissionais. Soma mais de 4 milhões de seguidores e alcance mensal superior a 25 milhões de pessoas. Jornalista formada pelo UNASP, escritora best-seller e especialista em Comunicação Estratégica, Oratória e Posicionamento.

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