O jogo que deixou o mundo louco
Por Ivan Valini
A febre do Pokémon Go chegou a vários países (no Brasil o aplicativo foi liberado na quarta-feira) e, se por um lado o jogo se torna um sucesso e o número de utilizadores não para de aumentar, por outro, multiplicam-se os acidentes ocorridos enquanto as pessoas jogam.
O jogo, que se tornou num fenômeno de popularidade no mundo, tem sido alvo de críticas por ser perigoso. Baseado na tecnologia do Google Maps, o jogo de realidade aumentada usa o sistema de geolocalização e a câmara do smartphone do utilizador. A missão do jogador é explorar o mundo real para apanhar os Pokémon.
Nas ruas da cidade, no shopping, nos parques, e até mesmo em locais de trabalho é possível encontrar os bichinhos do jogo.
As forças policiais têm emitido avisos e dicas para “caçar pokémon” em segurança. Em dois dias de Brasil, essa “febre” já ocasionou demissões, batidas de carro, términos de namoros, tropeços, tumultos, brigas e até morte.
Aos pais fica um importante aviso: evitar que as crianças acabem em situações perigosas por conta do recurso de geolocalização, uma vez que criminosos são capazes de antecipar o local onde a criança se encontra e o nível de isolamento.
O Detran iniciou uma campanha para alertar motoristas e pedestres sobre os perigos de tentar capturar “monstrinhos” enquanto dirige ou atravessa a rua. Nunca é demais lembrar que no Estado de São Paulo, um em cada quatro mortos por acidente de trânsito é pedestre.
Psicólogos afirmam que há diferenças entre a realidade virtual e a realidade aumentada. Em cada uma delas, o jogador pode criar identidades distintas, o que pode ser problemático.
A alegação dos especialistas é que com a realidade aumentada, a pessoa está face a face com outros jogadores, e é levada a assumir uma personalidade diferente da que tem nas redes sociais. Ou seja, o jogo pode ser um problema para as pessoas que já tinham criado outra personalidade nas redes sociais.
Outra atenção especial que os pais devem ter é para os sinais de dependência que o jogo pode trazer, como a troca de prioridades e a perda de outros interesses, além da síndrome de abstinência, igual à de outras dependências.
Por outro lado, cientistas têm se dedicado a estudas os benefícios do Pokémon GO. Na Universidade de Washington, nos Estados Unidos, pesquisadores do centro médico de queimados iniciaram um estudo para ver se o aplicativo pode ajudar na terapia dos pacientes. A tese é que, além de ajudar na mobilização dos doentes, o game poderia contribuir para afastar suas mentes da dor.
Outra pesquisa está sendo feita por uma reumatologista do Centro Multidisciplinar Fluminense, no Rio de Janeiro, sobre como o jogo poderia ajudar na redução da obesidade e dos níveis de diabetes tipo 2, onde a pessoa sedentária sai do sofá e vai para as ruas, além de ser um estímulo para a autoestima.
Outro lado positivo da brincadeira é que o aplicativo passou a ser uma ótima oportunidade de as pessoas conhecerem a cidade, caminhando pelas ruas e praças.
A verdade é que o Pokémon Go extravasa as fronteiras do razoável quando entra em campo a indomável estupidez humana.
