Acidente por Telefone

J.C. Arruda

Esta historinha, me passaram por e-mail nesta semana. Não sei se ela tem algo a ver com o espírito desta coluna, mas como esse leitor me garantiu que vai ficar assinante do jornal se a mesma for publicada, achei – como dizia o inesquecível professor Firmino – de bom alvitre, resolvi ceder, mesmo porque quanto mais assinante o jornal tiver, melhor para nós e para a cidade. Então lá vai.

Após batalhar muito com a vida para vencer na própria, Teobaldo, ainda jovem nos seus 38 anos havia encontrado a paz que precisava. Essa paz foi conquistada por meio do emprego altamente compensador que havia encontrado. Felizmente havia se visto livre de atuar como consultor de empresas, ocupação essa que, em algumas ocasiões lhe dava excelente retorno financeiro, porém, em outras, o trabalho se tornava rareado e, com isso vinha a insegurança, já que era autônomo.

Agora não. Como funcionário registrado em carteira na empresa “Gonzaga & Bicalho – Consultoria”, continuava a desempenhar sua especialidade profissional, mas sem se preocupar tanto, considerando que, no final de cada mês, o excelente salário lhe chegava às mãos, fosse qual fosse o desempenho da empresa. A única parte não tão favorável da nova vida era com relação aos horários. Tinha hora para entrar e sair do emprego, não raramente tendo que fazer hora extra por determinação dos patrões. Foi por isso que, naquela sexta-feira, ele tinha se garantido junto a seus chefes de que não faria hora extra para chegar cedo em casa e jantar com a família, coisa que nem sempre lhe era possível últimamente. Já passava das três horas da tarde quando Teobaldo ligou para casa buscando saber o que a esposa iria preparar para o jantar.

– Alô! Atendeu uma vozinha de criança.

– Oi querida! É o papai. Mamãe está perto do telefone?

– Não, papai. Ela está lá em cima no quarto com o tio Fred.

Após alguns segundos, Teobaldo diz:

– Mas, querida, você não tem nenhum tio chamado Fred!

– Sim, eu tenho. Ele está lá em cima, no quarto com a mamãe.

– Tá bom então. Quero que você faça o seguinte: suba correndo as escadas, bata na porta do quarto e grite para a mamãe e para o tio Fred que meu carro acabou de parar na frente de nossa casa.

– Tá legal, papai.

Alguns minutos depois, retorna a garota:

– Eu fiz o que você disse.

– E o que aconteceu?

– Bem, mamãe pulou da cama pelada e começou a correr pelo quarto gritando, ai ela tropeçou no tapete, rolou pela escada e tá morta.

– Oh, meu Deus! E o tio Fred?

– Ele pulou da cama também pelado, muito assustado e saltou pela janela dos fundos em direção da piscina. Ele deve ter esquecido que você esvaziou a piscina para limpar, na semana passada e ai bateu com a cabeça no fundo. Agora ele está lá lá, acho que morto, porque tem uma poça de sangue.

Uma longa pausa e Teobaldo diz:

– Piscina??? Por acaso, o telefone ai é 33 33 66?

– Não

– Então desculpe. Foi engano…