Câmara não autoriza empréstimo no valor de R$ 21,5 mi à Prefeitura
Financiamento de R$ 21,5 milhões seria obtido junto ao BNDES. Votação foi marcada por discussões e atritos entre vereadores
A Câmara de Vereadores negou na sessão de segunda-feira (7) o projeto de lei nº 122/2015, que autorizaria o Poder Executivo a contratar junto ao BNDES um financiamento de R$ 21,5 milhões para a execução de um novo PMAT (Programa de Modernização Tributária e da Gestão dos Serviços dos Setores Sociais Básicos), visando modernizar equipamentos da Prefeitura, a construção do novo arquivo geral e a sede da futura “Escola do Servidor”, entre outras coisas. A propositura foi rejeitada por 7 a 5 e o clima esquentou no final da discussão.
Givanildo Soares (PROS) foi um dos vereadores a defender a aprovação do financiamento. “Eu não dou crédito pra ninguém, mas eu dou crédito para a cidade de Itu”, disse o vereador em resposta ao pronunciamento de Zelito do Quiosque (PDT). Giva também alegou que a ordem para que o projeto fosse rejeitado veio “de cima”. “Pela vaidade de um casal a cidade vai perecer”, declarou.
Matheus Costa (DEM) também foi outro a defender a aprovação do empréstimo, apontando que o juro é muito baixo e que, com o financiamento, será possível trazer modernidade à gestão da cidade. “A Prefeitura está sim como uma dificuldade financeira e ela de alguma forma vai ter que deixar a gestão dela mais eficiente, investindo em softwares, capacitação, local para armazenamento de arquivos”, comentou, dizendo que isso pode ser importante até para o aumento da arrecadação de impostos.
O vereador também comentou insinuações da oposição de que o dinheiro seria usado para campanha eleitoral. “É uma irresponsabilidade dizer que esse dinheiro vai ser usado para determinada campanha a prefeito. Então não existe mais Ministério Público, Tribunal de Contas?”, questionou Matheus.
Líder do prefeito Antonio Tuíze na Câmara, Balbina de Paula Santos foi outra a defender o empréstimo. “Esse projeto não tem nada de ilegal, pelo contrário. É um projeto ótimo para a cidade de Itu. Votar contra um projeto desse é votar contra a cidade”, disse. A vereadora falou sobre supostas reuniões feitas pela oposição. “Coisa ridícula, vereadores fazendo reuniões as portas fechadas, com medo que os outros vejam. Eu teria vergonha de olhar pra cara do meu filho se eu fosse dessa maneira”, comentou Balbina.
Já Dr. Bastos (PSD) criticou o projeto, dizendo que não vai alimentar esse “desgoverno”. “Não dá pra aprovar um projeto que você vai dar, na hora de apagar as luzes, quase fechando a porta e indo embora, R$ 21 milhões na mão de alguém que está vazando. Falta pouco, nove meses não dá tempo de fazer nada com isso aqui. É tudo balela”, declarou o vereador, que chegou a afirmar que o projeto era uma “piada” e servia para “cobrir déficit orçamentário”.
Outro contrário à propositura foi Josimar Ribeiro (PTN), que aproveitou sua fala para criticar a gestão Tuíze. Ex-vice-prefeito, ele declarou que sua administração deixou dinheiro em caixa, com a cidade limpa e “redonda”, com perspectiva de crescimento, mas que aconteceu o inverso. Josimar ainda falou de obras inacabadas e que o empréstimo deveria contemplar elas, e não o PMAT.
O clima entre os vereadores esquentou durante o projeto. O primeiro atrito ocorreu enquanto Professor Feital fazia uso da palavra. Ele chegou a comentar que apoia a deputada Rita Passos como candidata a prefeita de Itu, pois vê nela “muita competência”, coisa que não vê nos demais pré-candidatos. Nesse momento, Matheus Costa pediu aparte a Feital, que não concedeu. “Não falei nada, não citei seu nome. Não concedo aparte ao senhor”, esbravejou o vereador, deixando o clima tenso.
Matheus então pediu “Questão de Ordem” a Olavo Volpato, que ocupava a presidência da Casa de Leis no momento, mas também não foi atendido. Feital voltou a falar. “Falaram que nós oito vereadores temos voto de cabresto, que não somos políticos, que somos invejosos, que somos mesquinhos, e você quer que eu lhe dê aparte?”, questionou o vereador, ainda em alto tom. “Eu jamais falei isso”, respondeu Matheus fora do microfone, sendo advertido por Olavo.
Balbina e Josimar também se estranharam. Durante justificativa de voto, a líder do prefeito declarou que o projeto faria Itu ter progresso e que ele foi derrubado por egoísmo e “picuinha política”. “Hoje o Legislativo jogou Itu mais uma vez no buraco”, disse a vereadora. Enquanto falava, Balbina alegou ter sido chamada de “mentirosa” por um dos vereadores.
“Eu não escondo nada que tenho. Agora existem políticos aqui que não deveriam ter casa em Salto escondido, tem chácara, tem fazenda e acha que é humilde por morar em um pequeno bairro de Itu”, insinuou a vereadora, desafiando os demais vereadores a apontarem algum cargo de confiança que ela tenha na Prefeitura. “Eu não roubo o poder público como alguns roubaram, com vinte a trinta cargos”, prosseguiu.
Josimar rebateu as insinuações com outras. “Eu não tenho que devolver dinheiro para os cofres públicos. Eu não fui condenado a nada disso. E não é pouco dinheiro”, comentou o vereador. Ele também falou que Balbina sempre o provoca. “Constantemente ela ofende, ela passa me xingando. Ali atrás vocês não imaginam os absurdos que essa mulher vem falar”, declarou. “Eu não vou me igualar a uma pessoa que não tem classe como essa mulher”, finalizou o vereador.

