Cinerama | A Empregada: tantos problemas que chega a ser trash

NOTA:

Dias desses, vi um vídeo de um crítico que considero bastante falando sobre o sumiço dos chamados “filmes médios” dos cinemas. Sabe aquelas obras que não são nem blockbusters como “Vingadores”, nem aquele cult iraniano que passa em somente duas salas escondidas em São Paulo? Pois bem, eles estão cada vez mais escassos. Por isso vi com bons olhos todo burburinho em torno de “A Empregada”, filme dirigido por Paul Feig lançado na última semana.

Baseado em um livro de sucesso da escritora estadunidense Freida McFadden, o longa vem atraindo bom público e agradando uma parcela dele. Porém, as críticas não são nada elogiosas. Fui conferir com meus próprios olhos e posso atestar: para ser ruim, precisa melhorar muito. O filme tem tantos problemas, mas tantos problemas que chega a ser até trash – o que acaba até arrancando um riso do espectador.

Na trama, uma jovem começa a trabalhar na casa de um casal muito rico, mas tanto ela quanto os patrões escondem segredos sombrios. A estrutura é a mesma de sempre em filmes de suspense, mas tudo está em descompasso. Da atuação fraca de Sydney Sweeney à presença insossa de Brandon Sklenar, do roteiro mal-ajambrado de Rebecca Sonnenshine à direção caótica de Paul Feig, tudo parece fora do lugar em “A Empregada”. Fosse isso proposital e conceitual, até seria interessante.

Amanda Seyfried até tem momentos interessantes e o plot twist é divertido (apesar de previsível), mas isso não é o suficiente para salvar o filme. Vários elementos são simplesmente jogados na tela, sem nenhuma explicação cabível ou justificativa. Personagens entram e saem sem apresentações e a edição é tão picotada que parece que estamos assistindo a uma série de “reels” de Instagram em sequência.

Temas importantes, como sororidade e violência doméstica, são pincelados, mas não são tratados da melhor forma. Parece que todo o filme foi planejado para culminar em uma cena mais quente entre os personagens de Sydney e Brandon, que resulta em um momento à la “Cinquenta Tons de Cinza” que deve agradar bastante aos fãs do livro. E, por incrível que pareça, deve ser o ponto menos constrangedor de “A Empregada”, cujo final é digno de uma esquete de humor – só que mal feita.