Cinerama | Chainsaw Man – O Filme: O Arco da Reze

Animação, Gekijouban Chainsaw Man: Reze-hen, 2025 | Direção: Tatsuya Yoshihara | Classificação indicativa: 18 anos | Duração: 1h41 | Em cartaz nos cinemas
NOTA: ✪✪✪
Baseado no mangá de sucesso de Tatsuki Fujimoto, “Chainsaw Man – O Filme: O Arco da Reze” chega aos cinemas com a promessa de expandir o universo sanguinolento e insano que conquistou fãs pelo mundo. A animação, no entanto, parece hesitar entre o romance e o massacre, entregando um resultado irregular – ora divertido, ora simplesmente vazio.
A trama acompanha Denji, o já conhecido Homem-Motosserra, um jovem com coração de demônio e mente confusa, que atua na Divisão Especial 4 de Caçadores de Demônios. Depois de um breve vislumbre de felicidade ao lado de Makima, ele cruza o caminho de Reze, uma atendente de café envolta em mistério.
O que poderia ser um respiro emocional em meio à carnificina logo se revela uma longa e arrastada primeira metade, em que Denji se apaixona de forma tão ingênua que dá razão aos que chamam Chainsaw Man de um “mangá de incel” – termo usado, com certa ironia, para descrever homens que culpam o mundo (e especialmente as mulheres) por não corresponderem às suas expectativas afetivas.
A segunda metade, felizmente, é outro filme. Quando as serras voltam a girar e o sangue começa a jorrar, “Chainsaw Man” reencontra sua identidade. As cenas de ação são vibrantes, brutais e bem desenvolvidas, justificando a classificação indicativa de 18 anos. Ainda assim, personagens aparecem e desaparecem sem grandes explicações, o que torna a experiência confusa para quem não é iniciado no mangá.
Visualmente, o longa mantém o padrão técnico do anime, com traços caprichados e uso intenso de cores contrastantes. Mas a falta de fôlego narrativo e a dependência do material original o tornam pouco acessível para o público geral. Para os fãs devotos, é um prato cheio de referências e violência estilizada; para os demais, apenas mais uma motosserra girando no vazio – barulhenta, mas sem corte.

