Cinerama | Frankenstein: atuações exageradas e visual artificial

NOTA: ✪✪✪

Adoro praticamente toda a cinegrafia de Guillermo del Toro. Diretor e roteirista de grandes obras como “A Forma da Água” e “O Labirinto do Fauno”, o mexicano tem um estilo muito próprio, que já virou marca registrada. E ele emprega essa forma de fazer cinema à exaustão em “Frankenstein”, vencedor do Oscar em duas categorias técnicas (Melhor Cabelo e Maquiagem e Melhor Figurino) no último domingo.

O filme foi o último dos indicados ao Oscar que assisti – só fui conferir poucas horas antes da premiação rolar nos EUA, coroando “Uma Batalha Após a Outra” e “Pecadores”. Confesso que não estava muito interessado em ver mais uma releitura do clássico romance de Mary Shelley, de 1818, ainda mais com a estética neogótica de del Toro – que, repito, admiro, mas com parcimônia. Especificamente neste filme achei o visual muito artificial, enquanto nos outros do cineasta o tom era mais elegante e natural.

Ao longo de quase 2h30, acompanhamos o brilhante e egocêntrico cientista Victor Frankenstein (Oscar Isaac) que, movido por obsessão, cria vida a partir de cadáveres, desencadeando um destino trágica para si e sua criatura (interpretada pelo galã Jacob Elordi). A trama do filme tem quase a mesma estrutura do livro, mas com algumas atualizações.

A principal mudança é no foco mais emocional do filme, que aborda muito os conceitos de culpa, abandono e redenção. As motivações e a origem de Elizabeth (Mia Goth) também mudam, assim como personagens novos são incluídos (como um rico fabricante de armas vivido por Christoph Waltz) e outros são limados da história.

Para além das mudanças em relação ao livro e da estética inconfundível, o filme traz muitas atuações exageradas. Oscar Isaac vive o típico cientista louco repleto de trejeitos, enquanto Christoph Waltz faz novamente um tipo afetado e peculiar, como outros tantos que já fez no cinema. As atuações que se destacam, na minha opinião, são as de Jacob Elordi e Mia Goth, que possuem passagens muito interessantes e até tocantes.

Não tão marcante quanto outras produções de Guillermo del Toro, “Frankenstein” fica naquele limiar entre o bom e o forçado, o bonito e o piegas. Independente do que você achar, uma coisa é certa: é impossível sair impassível após assisti-lo.

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