Cinerama | O Mapa Que Me Leva Até Você

The Map That Leads To You, Romance, 2025 | Direção: Lasse Hallström | Classificação indicativa: 14 anos | Duração: 1h36 | Disponível no Prime Video
NOTA: ✪✪
Quando busco um filme de romance, é quase como uma tentativa de preencher com uma história fictícia a ausência de algo que não encontro na vida real. Mas a experiência com “O Mapa Que Me Leva Até Você”, dirigido por Lasse Hallström, foi um lembrete de que nem sempre essa busca dá certo. A produção se vende como um romance envolvente ambientado em belíssimos cenários europeus, mas o resultado final é medíocre, preso em superficialidades que não conseguem emocionar.
A sinopse promete uma jornada de autodescoberta: Heather (Madelyn Cline), uma jovem que tenta se libertar de uma vida rigidamente planejada, conhece Jack (KJ Apa), o rapaz misterioso que cruza seu caminho e, inevitavelmente, seu coração. No entanto, o que poderia render um enredo rico em nuances emocionais acaba se transformando em uma colagem de clichês previsíveis. Não que clichês sejam sempre um problema – em romances, eles muitas vezes funcionam como pilares narrativos necessários. O problema aqui é a execução, que se perde entre diálogos artificiais e situações forçadas.
O relacionamento entre os dois, por exemplo, oscila entre momentos minimamente encantadores e outros em que a falta de química se torna evidente. Os atores até demonstram esforço em sustentar a trama, mas o roteiro parece não lhes dar o mínimo de profundidade. Fica a sensação de que tudo é apressado, sem tempo para que o espectador realmente acredite naquele amor.
O grande mérito do filme, sem dúvida, é estético. Os cenários da Espanha, de Portugal e da Itália são lindamente retratados, quase como cartões-postais em movimento. A fotografia caprichada, aliás, pode ser o único motivo para não abandonar o filme no meio do caminho.
No fim, “O Mapa Que Me Leva Até Você” não passa de uma tentativa falha de emocionar, se contentando em ser raso. A trilha sonora até tenta embalar, mas não salva a inconsistência dramática. Terminei o filme com a impressão de ter visto uma propaganda de viagem com pitadas de romance mal desenvolvido. Para quem procura apenas belas paisagens, talvez valha a pena. Para quem busca emoção de verdade, é melhor procurar outro destino.

