Cinerama: Onda Nova

Comédia, 1983 | Direção: Ícaro Martins e José Antonio Garcia | Classificação indicativa: 18 anos | Duração: 1h42 | Estreia nesta quinta-feira
Enquanto passa por uma bem-sucedida trajetória em festivais, incluindo o prestigiado Festival de Locarno e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, “Onda Nova” – filme de 1983 dirigido por Ícaro Martins e José Antonio Garcia – chegará ao circuito comercial brasileiro no dia 27 de março. Restaurado e remasterizado em 4K, o longa oferece ao público a chance de redescobrir uma obra que desafiou a censura da ditadura militar e, quatro décadas depois, segue pulsante e provocadora.
Produzido no fértil cenário da Boca do Lixo, “Onda Nova” é o segundo título da chamada “trilogia do desejo”, assinada por Martins e Garcia. A trama acompanha as jogadoras do fictício Gayvotas Futebol Clube, um time de futebol feminino fundado no ano em que o esporte foi finalmente regulamentado no Brasil, após quatro décadas de proibição. Em plena ditadura, as personagens enfrentam preconceitos de gênero e sexualidade dentro e fora de campo, enquanto se preparam para um simbólico confronto internacional contra a seleção italiana.
“Onda Nova” trata especialmente de sexualidade, mas permeia outros temas também – sempre sem pudor algum. O filme traz a participação especial de membros da Democracia Corinthiana, como Casagrande e Wladimir, e até mesmo do cantor e compositor Caetano Veloso, o que o torna ainda mais interessante. O roteiro é confuso e obviamente há limitações impostas pela época em que a produção foi feita, mas é muito bacana ver como o cinema era pensado no Brasil há mais de quarenta anos. Um filme que subverte esse gênero popular, ao recusar o moralismo sexista e celebrar o desejo como potência de liberdade e identidade.

