Cinerama | Uma Segunda Chance: bonito, mas simplório

NOTA: ✪✪✪

Tem filmes que só pela sinopse a gente já sabe que não são para o nosso gosto. Vou além: só de ver o pôster! E com “Uma Segunda Chance” não foi diferente. Drama com boas doses de romance “água com açúcar”, o longa-metragem baseado em um best-seller da autora Colleen Hoover é para outro tipo de público, bem distante do tipo de obra que me interessa. Porém, é possível extrair algumas coisas boas da produção, que está em cartaz nos cinemas.

A trama acompanha a jornada de Kenna Rowan (Maika Monroe), uma mulher que tenta retomar sua vida e se aproximar da filha após sete anos na prisão, enfrentando luto, culpa e resistência familiar. Ela então volta para sua cidade natal em Wyoming, onde procura um emprego. Nisso, encontra Ledger Ward (Tyriq Withers), ex-jogador da NFL e dono do bar mais famoso da região, com quem começa um relacionamento complexo. As histórias vão se cruzando, dando um tom bem novelesco.

O filme tem dois eixos narrativos principais: o romance inesperado entre Kenna e Ledger e a tentativa de reconexão da protagonista com a filha. O segundo tema me cativou mais, já que o relacionamento entre os dois é repleto de “mais do mesmo”. A atriz Maika Monroe mostra mais potencial nas cenas em que o drama familiar é explorado, quando sua personagem precisa lidar com os traumas do passado. Tyriq Withers também se esforça, entregando um mocinho sem muitas nuances. Mas também não é nada de outro mundo, pois todas as atuações do filme são qualquer nota, com alguns diálogos rasos.

A direção de Vanessa Caswill é bem honesta, com momentos interessantes. Ela consegue extrair o melhor de um roteiro vacilante e de um elenco modesto, entregando um filme redondo e eficiente. A trilha sonora (com sucessos como “Yellow”, do Coldplay) e a direção de fotografia também colaboram, melhorando a experiência final.

Mas o roteiro é mesmo o calcanhar de Aquiles de “Uma Segunda Chance”. Escrito pela própria Colleen Hoover em conjunto com Lauren Levine, o texto tem furos bobos e resoluções simplórias. Problemas típicos desses romances que chegam à lista dos mais vendidos – que, por mais contraditório que possa parecer, fazem dessas obras o sucesso que são, já que suas leitoras esperam uma trama simples, de preferência com um final feliz, e que as façam se emocionar. Se você gosta desse tipo de livro, certamente este filme é para você.

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