Clima esquenta na Câmara de Itu na primeira sessão após o recesso

Os trabalhos legislativos do segundo semestre começaram agitados na última segunda-feira (1º). O clima esquentou durante a “Ordem do Dia”, quando um requerimento de autoria de Matheus Costa (PHS), que solicita documentos e informações sobre o período de intervenção da então concessionária dos serviços de água e esgoto da cidade (Águas de Itu), foi novamente adiado.

A propositura já havia sido adiada, no último dia 16 de maio, por cinco sessões. Dessa vez o pedido, novamente feito por Hermes Jabá (PSD), foi para sete sessões. Givanildo Soares (PROS) imediatamente rebateu e pediu adiamento para a próxima sessão. Marquinhos da Funerária (PSD) então colocou para votação os dois pedidos, sendo aprovado o de Jabá.

Líder do prefeito na Câmara, Balbina de Paula Santos (PV) então disse que tinha as respostas da solicitação de Matheus, mas que achou importante o adiamento. “Muitas coisas foram mudadas. E mudadas para melhor”, disse. “A resposta que viria não teria muito sentido, porque já foi mudada a empresa. Não é mais Águas de Itu e nem está mais sob intervenção”, prosseguiu a vereadora, afirmando que, com a inauguração da Adutora Mombaça, Itu “jamais terá falta d’água”.

Matheus então pediu “Questão de Ordem” e disse ser vergonhoso o adiamento do requerimento. “Eu protocolizei esse requerimento no dia 2 de maio. Já faz três meses”, lamentou. “Está indo para cinco meses um requerimento. Parece que é brincadeira com a população. Estou perguntando coisas pertinentes e necessárias”, atentou o vereador, explicando o teor de sua reivindicação.

Ele ainda disse entender a posição de Jabá, dizendo ser um amigo pessoal dele. “Mas para algumas pessoas esse tema (água) é muito caro, muito sensível. Custou, inclusive, praticamente a sua eleição aqui na cidade em 2014. Ou as suas. Não é uma pessoa a quem me refiro, e sim duas”, provocou Matheus. “Chega a ser uma aberração esse simples requerimento partir para quase cinco meses”, prosseguiu.

Jabá então respondeu, dizendo que o que Matheus requer é de máximo interesse dele e explicou o porquê pediu adiamento. “O que eu quero com sete semanas é justamente para que seja discutido esse requerimento uma semana antes da eleição, para estourar a bomba aqui dentro. É isso que eu quero”, justificou.

O vereador também pediu que Matheus fique tranquilo. “Mas fique bem tranquilo, vereador. Pode ficar tranquilinho, porque ele vai ser discutido. Mas na hora certa. Na hora certinha vão vir muitas novidades, sim. E seria até interessante pro governo que o requerimento fosse arquivado. Seria ótimo! Mas não, ele vai ser discutido fresquinho”, continuou Jabá.

Atrito
Logo em seguida, Eduardo Ortiz (PHS) pediu justificativa de voto e disse que a melhor opção seria não adiar a discussão do requerimento. Ele também respondeu às falas de Jabá. “Quer falar alguma bomba sobre o assunto água? Faça um requerimento! Se inscreva na palavra livre! Nós temos tantos instrumentos para se falar o que quiser nesse plenário”, disse o edil.

Enquanto Ortiz falava, Jabá o retrucava. “Deixe de ser demagogo. Não vem com essa conversa”, bradava o vereador enquanto batia na mesa. “Eu vou falar uma coisa aqui nessa tribuna e você vai voar, meu amigo. Me aguarde! Você vai sair pelo escapamento igual Mulher-Maravilha”, prosseguiu, arrancando risos das pessoas presentes no plenário.

Marquinhos da Funerária então pediu, em consideração a ele, que Jabá se comportasse. Mas não adiantou o pedido do presidente. Eduardo Ortiz voltou a justificar seu voto e Jabá o interrompeu novamente. “Vai lá chamar as crianças da APAE de imbecis e vem aqui pagar de bom moço”, disparou o vereador, deixando o clima tenso.

Mombaça
Logo após o atrito entre Jabá e Ortiz, mais vereadores justificaram seu voto. Josimar Ribeiro (PTN) disse ser favorável ao adiamento “eternamente”, pois, segundo ele o requerimento não tem mais fundamento. Ele também falou sobre a Câmara se tornar um “palanque eleitoral”. “As eleições estão ocorrendo, mas é lá fora. Aqui nós temos que discutir políticas públicas, os direitos, a qualidade de vida da população”, disse o edil.

Ele também comentou que a Adutora Mombaça foi entregue, mas não concluída. Então, na sequência, Giva disse que “renuncia se a água não estiver saindo do Mombaça”. “Eu desafio a qualquer um. Eu renuncio se o Mombaça não estiver funcionando. Quero ver quem tem coragem. Porque está funcionando”, afirmou. Ele também elogiou Matheus pelo requerimento. “Ele quer investigar independente de quem seja. Isso mostra independência, e não cabresto”, comentou Giva.