Empresário não consegue matricular filha em escola próxima à sua residência

Homem de 31 anos alega problemas de saúde e acusa instituição de descaso

Daniel Nápoli

Há dois meses instalado nesta cidade, o empresário Luiz Carlos da Silva Ribeiro, de 31 anos, encontra dificuldades para que sua filha de dez anos consiga uma vaga para estudar em uma escola próxima a sua residência no ano de 2016.

Morador do Bosque Santa Rosa, o empresário alega ter entrando em contato, ainda no ano passado, com a Escola Estadual Pery Guarany Blackman, com o intuito de transferir sua filha, que estuda no Colégio Franciscano Pio XII, localizado na cidade de São Paulo. Porém, não obteve sucesso. “Viemos para Itu em novembro e, no fim do mesmo mês, fui até o Pery, solicitar transferência para minha filha. Porém, a diretora, chamada Clélia, disse que não havia vaga e que eu teria de aguardar. Mas não pegou nenhum dado meu, muito menos me deu algum papel”, disse.

Luiz Carlos relatou ainda que sofre com problemas de saúde e que a instituição facilitaria a sua locomoção para levar a filha até a escola. “O Pery é bem próximo da minha casa. Daria uns dois quilômetros. Estou com minha esposa grávida e, há um ano, passei por uma cirurgia para a retirada de um tumor na cabeça. Então estou passando por tratamento, não é uma situação fácil e ainda por cima estou passando nervoso, que não posso, por essa situação da falta de vaga”.

Desesperado, o pai da estudante, que irá cursar o 6º ano do Ensino Fundamental II, procurou novamente a instituição e novamente não obteve o retorno esperado. “Me disseram que não tem vaga, não tem como, que está tudo preenchido e que só com uma determinação do juiz poderia ser feita alguma coisa. Achei falta de vontade, um descaso. Me senti humilhado”, reclamou.

Após não ter conseguido a vaga para sua filha, o empresário se dirigiu até a Diretoria de Ensino, onde disse também não ter encontrado a solução para seus problemas. “Lá foi me informado que no Pery realmente não tinha vaga disponível e me deram duas opções de escolas próximas à minha residência. A Escola Estadual Cícero Siqueira Campos e a Escola Estadual Regente Feijó. Porém, não quero colocar a minha filha em uma dessas escolas, quero colocá-la no lugar mais próximo de casa, que é o Pery”, alega.

Demonstrando indignação, Luiz Carlos fez um desabafo. “Estou passando um nervoso muito grande, o que não posso. Se me acontecer alguma coisa, são essas pessoas as responsáveis. Só quero que a minha filha estude na escola mais próxima da minha casa, para o nosso bem. Só isso! Irei ao Ministério Público e procurarei as autoridades competentes para que possa colocá-la lá no Pery”.

Escola
A reportagem do “Periscópio” entrou em contato com a instituição de ensino e foi informada pela diretora da escola, Clélia Barbieri, que de fato o local foi procurado por Luiz Carlos, porém as vagas já estão preenchidas e não há possibilidade de um aumento no número de alunos. “Nós temos um limite ‘x’ de vagas. A montagem é feita por ordem de endereço, ou seja, de acordo com a proximidade da residência dos alunos com a escola. Além disso, o endereço desse pai, não está na região da escola”, explica.

Clélia ainda levanta uma possibilidade para Luiz Carlos. “O que ele pode fazer é, assim como outros pais, já que não pretende colocar a filha em uma das escolas oferecidas pela Diretoria de Ensino, colocar o nome da estudante em nossa lista de espera, que é feita por deslocamento, ou seja, atendendo alunos de endereços próximos para depois atender outros casos. O que deve ser entendido é que não estamos em nenhum momento de má vontade. Todos têm problemas, todos querem vagas, mas infelizmente não as temos disponíveis, a não ser que existam casos de desistências. Porém essa lista não é garantia de vaga, uma vez que pode não ter uma desistência e se tiver, chamaremos pela ordem”, esclarece.
Diretoria de Ensino

O “Periscópio” também entrou em contato com a Diretoria de Ensino, que por meio de seu dirigente, Anivaldo Roberto de Andrade, comentou o caso, reforçando a falta de vaga e das instituições disponíveis para receber a estudante. “Não sei se tem mais vagas na instituição ‘x’, então o que se tem de fazer é, ou colocar o nome na lista de espera e aguardar desistências ou matricular a estudante nas escolas disponíveis (Cícero Siqueira Campos e Regente Feijó). Não há como criar vagas, aumentar o número de alunos de uma escola. Já se tem um número específico”, explica.

Anivaldo traz ainda uma outra solução para o caso. “É importante dizer, que caso não exista vaga na escola mais próxima de sua casa, o estudante, como foi o caso, terá disponível a instituição mais próxima possível de residência e caso a distância entre casa e escola, ultrapasse os dois quilômetros, o aluno tem direito ao transporte escolar, que busca e traz o aluno. Se não deixar na porta da casa, deixará o mais próximo disso. Ou seja, tem segurança e o problema de locomoção é sanado”, concluiu.